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Uma trilogia temporal constituída pelo passado, presente e futuro está na génese da construção do espetáculo comemorativo dos 75 anos do Teatro Micaelense, em Ponta Delgada, nos Açores, interagindo com várias expressões artísticas, segundo a direção artística.

Isabel Albergaria Sousa e Maria João Gouveia declararam à agência Lusa que foi realizado um “encontro de memórias com os testemunhos e materiais que inúmeras pessoas foram partilhando com o Teatro”, com vista ao evento.

Foram até ouvidas pessoas que estiveram na inauguração do Teatro, em 31 de março de 1951 e que o frequentam desde então.

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“A memória do Teatro foi a nossa base. Paralelamente, deixámo-nos influenciar pelas vivências que temos tido no Teatro, quer pessoais, quer profissionais, e, por último, as expectativas que naturalmente temos para o futuro desta casa, enquanto cidadãs e artistas”, referem as responsáveis.

Foi construído um espetáculo que “extravasa os modelos tradicionais de um concerto e de arquétipos estilísticos, normalmente utilizados para estas formalidades de celebração”, porque “transforma o palco num organismo vivo contínuo, em que interagem várias expressões artísticas acolhidas desde sempre pelo Teatro – cinema, dança, música e teatro – numa série de cenas conduzidas por um enigmático personagem chamado T”.

A direção artística aponta que os vários elementos de “O Espetáculo” foram “trabalhados de forma integrada e com um encadeamento artístico, criando-se uma linguagem sonora e visual coerente”.

No campo da dança e da música, há abordagens clássicas e contemporâneas, inclusivamente uma peça musical encomendada propositadamente para este espetáculo, a uma compositora micaelense, a par da “riqueza da interação em palco das diferentes linguagens artísticas”.

“Tudo isto ganhará forma com um ator, acompanhado por uma orquestra com 45 elementos, 60 vozes que incorporam os coros, dois solistas cantores, dois pianistas, um baterista, 11 bailarinas e um grupo de hip-hop”, revelam as responsáveis.

Isabel Albergaria Sousa e Maria João Gouveia referem que, no total, estão 150 pessoas envolvidas no espetáculo, desde bastidores a palco, onde se apresentam artistas mais jovens e outros mais experientes.

Carolina Bettencourt é a responsável pela dramaturgia, para que Frederico Amaral a possa representar, sendo João Pedro Costa responsável pelo ‘design’ e o desenho da cenografia, no último campo, com Maria João Gouveia.

A execução da cenografia é da responsabilidade de Madalena Correia e de Teresa Pereira da Silva, as coreografias são do 37.25 Núcleo de Artes Performativas (Madalena Pacheco, Maria João Gouveia e Vanessa Canto), o desenho e operação de luz são de Rui Viveiros, a edição de vídeo de Alexandre Abreu, Clara Luleich e João Pedro Costa.

Os figurinos são de Maria Odete Pacheco e a direção de cena de André Bonito Mendes.

A peça musical encomendada é da compositora Sara Ross.

No palco, estará o ator Frederico Amaral, bailarinos do 37.25, o Núcleo de Artes Performativas do Estúdio 13, e um grupo de hip-hop, o baterista João Freitas, o Coral de São José, o Coro de Câmara do Conservatório Regional de Ponta Delgada, a Sinfonietta de Ponta Delgada, os pianistas João Bernardo e Luís Martins, a soprano Carina Andrade e o tenor Tiago Matos.

Em “O Espetáculo” está igualmente envolvida toda a equipa do Teatro Micaelense e do Estúdio 13, destacando-se os respetivos diretores de produção, Filipe Branco e André Bonito Mendes.

O espetáculo comemorativo é apresentado no palco do Teatro Micalense nos dias 31 de março e 01 de abril, às 21:00 locais (mais uma hora em Lisboa).

Inaugurado em 31 de março de 1951, o Teatro Micaelense foi projetado pelo arquiteto Raul Rodrigues de Lima, um especialista em salas de cinema e de teatro.

Por iniciativa de Francisco Luís Tavares, diretor-delegado da Companhia de Navegação Carregadores Açorianos, e com o apoio da sociedade micaelense da altura, surgia então, em Ponta Delgada, um teatro de grande dimensão, num espaço urbano expressamente rasgado para o albergar.

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