Os Açores registaram 243 ocorrências em ribeiras em 2025, menos 58 do que no ano anterior, segundo um relatório apresentado hoje, que aponta os assoreamentos e as derrocadas como principais situações identificadas.
“Verificou-se uma redução do número de ocorrências na região, de 301, em 2024, para 243, em 2025, e, sem surpresa, atendendo à dimensão territorial, São Miguel foi a ilha mais afetada, com 176 ocorrências, seguida do Pico, com 22, da Terceira, com 15, e do Faial, com 12”, afirmou, em declarações aos jornalistas, o secretário regional do Ambiente e Ação Climática dos Açores, Alonso Miguel.
O governante falava, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, à margem da apresentação do Relatório do Estado das Ribeiras dos Açores (RERA), referente ao período entre outubro de 2024 e setembro de 2025.
Neste período, foram monitorizados mais de 550 quilómetros de ribeiras e foram feitos 485 registos, entre novos levantamentos e a acompanhamento de situações identificadas em anos anteriores, que incidiram sobre 168 bacias hidrográficas.
Com exceção de São Miguel e Pico, houve uma redução do número de ocorrências em todas as ilhas, com destaque para a ilha Terceira, que baixou de 38 para 15 ocorrências, e para a ilha Graciosa, que baixou de 42 para oito.
“Tudo isto resulta também de um conjunto de medidas que têm sido implementadas, de políticas estruturadas e articuladas, que contribuem para a redução do perigo nas ribeiras, com estes trabalhos de desobstrução e de manutenção”, apontou Alonso Miguel.
Também o número de ocorrências de maior gravidade baixou de 14 para quatro, representando 10% do total em 2025.
As obstruções e os assoreamentos de troços de ribeiras foram as ocorrências com maior expressão (91), seguindo-se as derrocadas (74).
Alonso Miguel destacou a diminuição de situações de depósito de resíduos em linhas de água, que passou de 22 para 12.
“Demonstra uma crescente consciencialização das populações para a importância da preservação ambiental e também para a importância de garantir condições de segurança e de reduzir a exposição das populações aos riscos”, salientou.
Apesar dos “indicadores muito positivos e encorajadores”, o titular da pasta do Ambiente lembrou que só com um “trabalho articulado” entre proprietários, autarquias e Governo Regional “é possível progressivamente ir reduzindo os riscos associados ao galgamento e às inundações” em ribeiras.
“A grande parte dos terrenos que se situam nos leitos das ribeiras são terrenos privados e, de acordo com o que está disposto na Lei da Água, a responsabilidade de intervenção e de manutenção nesses terrenos é do próprio proprietário, sendo que todos os terrenos que não sejam privados e que estejam em aglomerados urbanos são da responsabilidade dos municípios e as restantes áreas são da responsabilidade da autoridade, neste caso a Secretaria Regional de Ambiente e Ação Climática”, explicou.
No âmbito do projeto Life-IP Climaz, cofinanciado pela União Europeia, a tutela contratou 18 operacionais para intervir em 18 ribeiras “que foram definidas como prioritárias ao nível da intervenção e da regularização”.
“De facto, têm dado um contributo muito importante para, juntamente com os restantes equipas operacionais, podermos ir solucionando as situações”, frisou Alonso Miguel.
O governante admitiu que o número de operacionais “nunca é suficiente”, dada a dimensão da extensão de linhas de água nos Açores, mas assegurou que a região “tem vindo a progressivamente a fazer um reforço”.
A rede hidrográfica dos Açores tem mais de 7.000 quilómetros e 727 bacias hidrográficas.




