O presidente do PS/Açores alertou hoje que a região pode enfrentar “muitas dificuldades económicas” devido à quebra no turismo e criticou a falta de uma “estratégia de promoção turística”, pedindo uma “aposta nas acessibilidades”.
“Estamos numa situação muito complicada do ponto vista de conjuntura externa. Temos guerras e o custo de vida vai aumentar. Se nós estragarmos o turismo dos Açores – e somos a única região do país onde o turismo está a decrescer –, a região vai ter muitas dificuldades económicas”, afirmou Francisco César.
O líder dos socialistas açorianos falava à agência Lusa e à RTP/Açores após uma reunião com a Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo dos Açores, em Ponta Delgada.
Francisco César considerou que os Açores estão a “começar a viver uma situação muito complicada” ao nível dos indicadores turísticos, exemplificando com o setor do Alojamento Local (AL) que está com “50% de ocupação em 50% dos alojamentos” e que “não teve qualquer tipo de cliente” em 70% das unidades em janeiro.
“Para a época alta há menos 8% de lugares disponíveis. Isso quer dizer que nos faltam várias coisas. A primeira é uma estratégia de promoção turística. Não sabemos qual é o caminho que a estratégia de promoção turística da região vai ter. Não conhecemos”, reforçou.
O também deputado na Assembleia da República disse desconhecer a atuação do Governo dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM) na “contratualização de operação” para aumentar os voos para o arquipélago e pediu uma “aposta nas acessibilidades”.
“Temos um problema de acessibilidades. Já perdemos a EasyJet no passado [em 2017]. Perdemos agora a Ryanair esta semana. E agora arriscamos num processo de privatização da SATA e da TAP a perder mais voos para os Açores”, criticou, considerando que o processo de privatização da Azores Airlines “falhou”.
Francisco César exemplificou com o caso do ‘stand’ dos Açores na BTL – Better Tourism Lisbon Travel Market, feira que decorreu de 25 de fevereiro a 01 de março, que custou no total “cerca de 800 mil euros” e motivou “um passear de comitivas governamentais, que deve ter encarecido bastante” os custos.
“Olhei para o lado e tínhamos o stand da Madeira que custou perto de 160 mil euros, mas há uma diferença: eles têm a ‘tour operação’ e o turismo a crescer e nós temos o turismo a cair. Quer dizer que não é só investir. É investir e ter eficácia”, comparou.
Os Açores registaram, em janeiro, uma redução de dormidas em alojamentos turísticos de 9,9% face ao período homólogo, sendo o quinto mês consecutivo em queda.




