O nosso direito à mobilidade foi posto em causa de tal forma que, quem esteja atento, só pode classificar alguns discursos como a hipocrisia no ar. A força destas palavras exige uma ponderação muito cuidada, mas os riscos de ficarmos a ver passar aviões justificam-nas bem.
Sobre a SATA, é bem conhecida a sua difícil situação financeira, mas também quem são os responsáveis políticos pela mesma – os membros dos governos da Região e da República dos últimos 15 anos. Isso não os impede de procurar sacudir a água do seu capote, mesmo sabendo bem quais são as consequências das decisões que tomaram.
O problema financeiro da SATA tem três causas principais. A mais objetiva é a elevadíssima dívida do estado português. O serviço público assumido pela SATA, em algumas rotas, tem associado compensações financeiras. Contudo, estas não têm sido pagas, assistindo-se a 15 anos de silêncio quase absoluto sobre esta matéria. Só o PCP foi pondo o dedo na ferida. Recentemente, juntou-se também o presidente da SATA, que reconheceu que o estado tem em dívida 120 M€, ou seja, 25% da dívida total da companhia.
A aposta em rotas que se revelaram autênticos buracos financeiros não mereceu, por parte de quem as decidiu, o reconhecimento do erro. Desviou-se assim a SATA da sua missão: assegurar a ligação ao território nacional e à diáspora. Os resultados estão à vista.
Mas, apesar dos esforços para o esconder, a principal causa é mesmo a liberalização do espaço aéreo. Começou aí o aumento exponencial dos prejuízos da SATA, com uma decisão que serviu apenas às companhias low cost. Ao contrário da SATA, as low cost receberam sempre os avultados apoios financeiros que exigiram. Quanto custou esta decisão? Qual seria o retorno se fosse a SATA a receber esses apoios? São perguntas sem resposta!
Há, sem dúvida, outras causas, mas estas três são estruturais, tal como tem denunciado o PCP. Sem as corrigir, os problemas da SATA só se aprofundarão e o nosso direito à mobilidade ficará cada vez mais em risco. Razões para concluir que há quem defenda os Açores e há quem prefira os grandes interesses privados!




