A vice-presidente do PS/Açores considerou hoje que a reação do PSD açoriano às declarações de Francisco César sobre as finanças regionais revela que o partido “prefere insultar” o líder regional socialista em vez de “responder ao essencial”.
Citada numa nota do partido, Cristina Calisto considera que a reação do PSD/Açores às declarações de Francisco César, em entrevista ao jornal Público e à Renascença hoje divulgada, “revela bem as prioridades de quem governa”.
“Enquanto o PSD continua entretido a atacar o presidente do PS/Açores, o Partido Socialista continuará focado naquilo que verdadeiramente interessa, que é apresentar soluções para os problemas reais da região, na saúde, na habitação, nos transportes, no custo de vida, no apoio às empresas e na defesa de contas públicas equilibradas e sustentáveis”, afirmou.
O PSD/Açores considerou hoje que o socialista Francisco César, “não tem qualificações para falar sobre finanças públicas” e lembrou que o único resgate financeiro do Estado à região ocorreu em 2012, quando o PS estava no poder.
O secretário-geral do PSD/Açores, Luís Pereira, reagia assim ao alerta que Francisco César fez na comunicação social para uma eventual necessidade de resgate financeiro do Estado português à região autónoma.
Segundo o social-democrata, “além de desconhecer a atual realidade socioeconómica dos Açores, o deputado Francisco César finge ainda esquecer que o único resgate financeiro do Estado à região ocorreu em 2012, quando o governo regional do PS ficou sem dinheiro para honrar os seus compromissos e necessitou [de] pedir assistência financeira à República”.
Para a vice-presidente dos socialistas açorianos, “perante a falta de resultados, o Governo [Regional] e o partido que o sustenta, escolheram a arrogância, o ataque pessoal e a desqualificação de quem ousa denunciar a realidade”.
Cristina Calisto considerou que “esta deriva autoritária de um governo que não admite perguntas, não tolera críticas e procura desqualificar todos os que, de forma democrática, lhe fazem oposição ou simplesmente discordam das suas opções, é reveladora de falta de cultura democrática”.
“Quando faltam argumentos para contrariar o diagnóstico, ataca-se o mensageiro”, afirmou.
O PSD “prefere insultar Francisco César a responder ao essencial”, pois os Açores “vivem hoje um problema sério de despesa pública, de desequilíbrio financeiro e de crescente dependência externa”.
Ao fim de mais de cinco anos de governação, o PSD “já não pode continuar a viver da desculpa do passado”, vincou.
“Os resultados estão à vista: há atrasos de pagamentos que afetam empresas, instituições e famílias, há doentes deslocados que continuam sem receber o que lhes é devido, há falhas que penalizam clubes e agentes do setor desportivo, há problemas acumulados na Lotaçor, nomeadamente, atrasos de pagamento de salários, uma trapalhada contínua no Subsídio Social de Mobilidade e sinais preocupantes em setores fundamentais da economia regional, como o turismo”, salientou.
Para Cristina Calisto, o problema dos Açores “não se resolve com notas de indignação do PSD nem com propaganda”.
Em entrevista ao jornal Público e à Renascença, o líder do PS/Açores, deputado da Assembleia da República e membro do secretariado nacional do PS, sublinhou que “os Açores têm um problema de despesa que tem de ser resolvido muito rapidamente”.
“Há uma probabilidade de que, se nada for feito, seja necessária uma intervenção ou um financiamento permanente por parte do Estado português”, disse, classificando esta hipótese como “muito elevada”.
Segundo a RTP/Açores, o antigo ministro das Finanças no governo do socialista António Costa, Fernando Medina, também disse, no fim de semana, na ilha Terceira, na Academia da JS/Açores, que a trajetória das finanças públicas da região “vai levar a um resgate financeiro da República”.
O PS/Açores também já tinha alertado para a situação, em novembro, no parlamento regional, aquando da discussão do orçamento da região para 2026, conforme a Lusa noticiou.
Na ocasião, o deputado regional e vice-presidente da bancada socialista Carlos Silva considerou que a situação financeira da região “aproxima-se perigosamente da bancarrota” e a proposta de Plano e Orçamento 2026 do Governo Regional é o reconhecimento de que está “cada vez mais perto da austeridade”.
“A proposta de Plano e Orçamento para 2026 confirma, de forma inequívoca, aquilo que é visível para todos os açorianos: a governação de José Manuel Bolieiro conduziu a região ao maior ciclo de endividamento, desequilíbrio e dependência externa das últimas décadas”, disse.








