Em 2013, por imposição da “troika”, na sequência dos desmandos governativos de José Sócrates, à receita do IVA que é devida aos Açores passou a ser deduzido o diferencial fiscal. Desde então pagamos menos imposto, mas também arrecadamos menos receita – a fatura é nossa, cerca de 200 milhões de euros anuais.
Diz-se que os Açores precisam de força política em Lisboa. Pois bem, há quem tenha decidido que força a mais dá cabo do equilíbrio e, portanto, o melhor é ir fraquinho. Perante a oportunidade histórica de aumentar a receita fiscal do IVA para a Região, quase todos compreenderam o óbvio. Quase, porque o Partido Socialista, num gesto de ignóbil estratégia, decidiu não votar a favor da alteração da lei. Talvez por achar que os Açores vivem demasiado bem. Talvez por temer que mais recursos públicos provoquem alergias ideológicas. Ou talvez, tão-só, porque a coerência não é uma prioridade.
O resultado é simples, enquanto a maioria se esforça para que a Região fale alto na Assembleia da República, o PS prefere que os Açores murmurarem ao fundo da sala. Um verdadeiro serviço público, mas só para quem gosta de ver a Região entrar em negociações nacionais com a mesma autoridade de um estagiário no primeiro dia de trabalho.
E depois, um dia, com ar grave, o PS virá garantir que defende o interesse dos Açores. Claro que sim. Basta ignorar que, quando se tratou de reforçar a posição regional, escolheu a pior opção: a irrelevância voluntária.
Os socialistas não querem mais receita para os Açores. Não querem mais força. Renderam-se aos interesses de Lisboa.




