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A secretária regional da Saúde e Solidariedade Social assinalou, e bem, o Dia Internacional da Mulher. Infelizmente, as palavras escolhidas ficaram longe das ações que o governo regional deixa pelo caminho. Na construção da igualdade e no combate às várias formas de discriminação e de violência, as boas palavras são fáceis de proferir. Muito mais difícil é concretizar uma boa decisão.

Afirmou a secretária que a diferença salarial na Região é inferior à média nacional. É verdade, mas esqueceu-se da predominância de salários muito baixos. Ou seja, a explicação para esta diferença ser inferior não é a valorização justa das Mulheres Trabalhadoras, mas sim a desvalorização geral dos Trabalhadores nos Açores. Como é sabido, a proporção de Trabalhadores a receber um salário inferior aos 1000 € é muito superior nos Açores, havendo maior percentagem a receber o salário mínimo ou pouco acima deste.

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Esqueceu-se também de falar no trabalho por turnos, na dificuldade em conciliar o trabalho e a vida pessoal e familiar e no assédio no local de trabalho, realidades que afetam predominantemente as Mulheres Trabalhadoras, nomeadamente na sua saúde física e psicológica. Nas entrevistas de emprego, continua a surgir a pergunta que há muito devia ter desaparecido: está a pensar engravidar?

Aquilo que de positivo se avançou na divisão das tarefas domésticas deve-se sobretudo à transformação social das mentalidades, com destaque para o contributo dado pelas Escolas e outras Instituições. Esta transformação resultou da muito justa e maior exigência das Mulheres neste plano, bem como da própria consciencialização dos Homens. As ações e campanhas do governo regional ficam, frequentemente muito aquém do necessário.

A igualdade não se constrói apenas com a sua proclamação. Exige uma atuação política bem decidida, corajosa e permanente. E, já agora, quanto a palavras, teria sido importante uma crítica do governo regional ao pacote laboral do governo da República, que concretiza um retrocesso sem precedentes em matérias de igualdade. Sobre isso, o governo regional prefere o silêncio… nem palavras, nem atos!

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