Joaquim Machado, Deputado do PSD/Açores ALRAA
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É comum dizer-se que a autonomia dos Açores vive de ciclos. E eis que três militantes socialistas, visivelmente cansados do silêncio interno, decidiram inaugurar mais um, o ciclo dos “heróis da reflexão”. Lançam um movimento que se anuncia plural, abrangente e aberto, mas na própria apresentação começam logo por disparar contra o Governo Regional, o que é sempre uma forma muito criativa de mostrar ecumenismo político.

A motivação, asseguram, é relevante, nobre e sentida: a ausência de representantes do PS no primeiro ato comemorativo dos 50 anos da autonomia democrática – lembro, uma sessão com os primeiros presidentes dos Governos dos Açores e da Madeira e Bolieiro. Nada, portanto, como transformar um critério, mesmo que discutível, num chamamento histórico, diria, quase espiritual.

E o dia escolhido para esta epifania? 2 de março, claro está – data da publicação do decreto da autonomia administrativa de 1895, esse espantoso modelo restrito, quase decorativo, pensado e liderado por terratenentes e grandes empresários de S. Miguel que, pelos vistos, servem de inspiração a estes republicanos que querem aprofundar a autonomia. Ironias da democracia.

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Os três proponentes, é bom lembrar, conhecidos desalinhados com a direção do PS, assumem-se como uma espécie de “desiludidos da vida” que vêem na reflexão pública a alternativa à insípida e errática liderança de César. Isso, convenhamos, é talvez a parte mais verdadeira de toda a iniciativa, no fundo, uma terapia de grupo em formato de movimento cívico.

Veremos o perfil dos aderentes e as doutas conclusões.

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