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A política iraniana entrou numa nova fase, com a nomeação de Mojtaba Khamenei como líder supremo. Filho do ayatollah Ali Khamenei, morto recentemente, como sabemos, por via de um ataque aéreo concertado entre Israel e os EUA, tornou-se assim o terceiro líder supremo desde 1979, após decisão da Assembleia de Peritos Iraniana.

A sucessão ocorre num momento particularmente turbulento para o país. Ora, o Irão encontra-se sob pressão internacional como provavelmente nunca esteve e a morte do antigo líder, foi o ponto máximo dessa pressão.

Contudo, importa sublinhar que mais do que uma simples mudança de liderança, esta ascensão ao poder levanta uma questão essencial. Estará o Irão a caminhar para uma continuidade rígida do regime, alicerçado na capacidade de defesa da Rússia e China, ou entrará numa nova fase de construção de uma alternativa?

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Desde a sua fundação, o sistema político iraniano construiu-se em torno de uma legitimidade religiosa, revolucionária, que rejeitava e rejeita, de forma explícita, qualquer alternância no que concerne às formas de poder.

Mas quem é, afinal, o novo líder supremo? Várias análises internacionais descrevem Mojtaba Khamenei como um clérigo conservador, profundamente anti ocidente, com posições frequentemente consideradas tão ou mais rígidas do que as do próprio pai. Durante o seu percurso ascendente, foi associado fortemente a repressão de protestos internos e manteve ligações a setores mais ideológicos do próprio regime em que se insere.

Por isto, a sua reputação levanta sérias dúvidas acerca da disponibilidade de abertura política no regime iraniano. Pelo contrário, a sua liderança pode significar uma maior militarização do sistema político, sobretudo num contexto de guerra e confrontação com o Ocidente.

Dentro do próprio país, a contestação que já era evidente, aumentou. Isso é bem visível nas redes sociais e nos principais círculos opositores do regime. No plano internacional, a escolha também gerou reações imediatas. Alguns aliados demonstraram apoios enquanto adversários como EUA e Israel garantiram que o novo líder seria também ele um alvo a abater, numa postura claramente ameaçadora.

Neste contexto, estamos perante um cenário paradoxal. Um regime que internamente, no aparelho do Estado está consolidado, mas é, em simultâneo extremamente isolado e pressionado.

O futuro? Esse é discutível entre diferentes opiniões sobre os caminhos e desfechos que se seguem. Certo é que a resposta poderá redefinir não apenas o futuro do país, mas também o equilíbrio geopolítico internacional. Aguardemos.

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