Imagética e encenações à parte, a boa reputação constrói-se no tempo e conjugações de antítese levadas à cena como justifica o Cavaleiro de Oliveira*. Ingenuidade e conjunções adversativas, como prova de oposição à persistência do ser estúpido. Há poucas décadas, alguém em defesa de uma Europa não, “uma realidade territorial nem uma questão tribal, é uma decisão moral”, justamente, Albert Camus, «A sociedade que tiver esta coragem é a verdadeira sociedade do futuro.»
Petrarca temia mais os cismáticos do que os inimigos… «Quando Deus precisa de uma nação para realizar seus milagres, ele sabe exatamente a quem recorrer.» Contudo a escolha recaiu sobre a prole de Belzebu. A ‘Guerra no Irão’ e não do Irão foi uma escolha do presidente norte-americano, uma “operação limitada” que se argui à razão, por exemplo, da “operação militar especial” separadas por boa reputação, mas nada a ver com uma função adventícia modelada por Ramin Jahanbegloo no ano de 1992. Para este filósofo iraniano que vive no Canadá, “É inútil, portanto, cantar hinos à democracia moderna enquanto assistimos de facto, no vivido do homem democrático, a um movimento de «mediocrização» (…).” A probabilidade de ideologizar hoje regimes que perpetraram há cerca de 90 anos o Grande Terror na União Soviética, com a morte à fome de milhões de pessoas. No mesmo período da história, os crimes contra a humanidade, coniventemente e convenientemente as visitas à Alemanha nazi até deslumbraram os que seriam os futuros aliados com o sucesso da política alemã. Esses observadores ocidentais pactuaram com os julgamentos de fachada à fome, na Ucrânia, como se essas condenações justificassem a produtividade e a democracia da nova Constituição Soviética de 1936.
Assim, na perspetiva secular e pragmática todos os riscos estão ativados… a moral subsiste, a julgar pelas oratórias, mas quando um Estado ‘viola’ o Direito Internacional, porque não a ele não está vinculado e, digo, age marginalmente, na promoção da democracia de desapropriação progressiva de um povo, segundo ritos medievais, regressamos à submissão histórica do progresso a que os “efeitos de rede”, virtuais transnacionais, portanto industriam a restauração democrática de falsa perceção com incentivos perversos, como por exemplo da UE.
Por ignomínia, a declaração conjunta da presidente da Comissão Europeia e do presidente do Conselho Europeu, de 28 de fevereiro, termina a pedir o respeito, integralmente do Direito Internacional… quando a realidade é inversamente proporcional ao cumprimento evocado e o statement de dupla ‘ventriloquia’ está esvaziado de qualquer ganho de causa.
*Personagem d’O Judeu, Bernardo Santareno, Edições Ática, 1999.




