O grupo parlamentar do PS/Açores disse hoje que questionou o Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) sobre o ponto de situação da candidatura do queijo de São Jorge a Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO, anunciada em setembro de 2023.
Segundo um comunicado do partido, a intenção da candidatura foi anunciada pelo executivo liderado pelo social-democrata José Manuel Bolieiro, mas não há “informação pública sobre desenvolvimentos concretos”.
Num requerimento enviado ao Governo Regional através do parlamento dos Açores, os socialistas questionam que diligências já foram realizadas junto das entidades culturais, científicas e do setor produtivo, se está prevista a constituição de um grupo de trabalho para fundamentar tecnicamente a candidatura e qual o calendário definido para a formalização do processo.
O PS/Açores quer ainda saber que medidas de salvaguarda, valorização e promoção estão atualmente em curso ou previstas, sublinhando que “uma candidatura desta natureza pode ter impacto significativo na projeção internacional do setor agroalimentar regional, no turismo cultural e na sustentabilidade das comunidades locais”.
Para a deputada Isabel Teixeira, citada na nota, o queijo de São Jorge é “muito mais do que um produto agroalimentar de excelência”, representando um “saber-fazer transmitido ao longo de gerações” e uma “expressão identitária profunda da cultura da ilha de São Jorge e da região”.
“A sua valorização enquanto património imaterial constitui um passo estratégico para reforçar a identidade açoriana, a coesão territorial e a promoção externa dos Açores”, afirma.
A parlamentar recorda que, em abril de 2025, foi ratificado um protocolo entre o Governo Regional e as Câmaras Municipais de Velas e Calheta para impulsionar a candidatura, estando a medida inscrita no Plano Anual Regional desde 2024.
Contudo, a socialista “considera essencial garantir que o processo não fique apenas no plano das intenções”.
“O reconhecimento do valor cultural e histórico do queijo de São Jorge exige compromisso, planeamento e execução. Não basta anunciar, é preciso concretizar”, defendeu Isabel Teixeira.
O Governo dos Açores e a Confraria do Queijo de São Jorge assinaram, em 02 de abril de 2025, um protocolo para inscrever os “saberes e as técnicas tradicionais da confeção do Queijo de São Jorge como Património Cultural Imaterial” da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, na sigla em inglês).
“Estamos a dar um passo muito importante, é um passo que tem como precedente a qualidade e a excelência do queijo de São Jorge e o talento desde há 500 anos para transformar leite de elevada qualidade e queijo de elevadíssima qualidade”, afirmou na ocasião o presidente do executivo açoriano, José Manuel Bolieiro.
Já o responsável pela Confraria do Queijo de São Jorge, António Azevedo, defendeu que o reconhecimento vai permitir elevar o produto a um “patamar superior”.
António Azevedo adiantou que o processo junto da UNESCO poderá demorar cerca de dois anos, “caso corra tudo bem”.
Em setembro de 2023, o Governo dos Açores já tinha anunciado que ia iniciar o processo junto da organização internacional.




