Joaquim Machado, Deputado do PSD/Açores ALRAA
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No Parlamento português, há semanas que o campeonato das trapalhadas está ao rubro. Primeiro, tivemos Hugo Soares, líder da bancada do PSD, num discurso inflamado, a dizer que os açorianos são consumidores vorazes dos cofres nacionais. Uma pérola tão brilhante que conseguiu indignar toda a gente – da esquerda à direita – incluindo, naturalmente, os social-democratas dos Açores, que correram a demarcar-se daquela inspiração oratória mais depressa do que quem larga uma batata quente.

Pensávamos que o campeonato das barbaridades já tinha encontrado o seu campeão. Mas logo surgiu novo concorrente, Francisco César. “Na sua ânsia de protagonismo, para o deputado socialista vale tudo, até arquitetar uma manobra parlamentar para preterir a proposta de lei que o seu próprio partido aprovou na Assembleia Legislativa dos Açores”. Isto, é talento raro. Na verdade, há quem treine uma vida inteira para tão heroicos feitos.

O momento é especialmente pitoresco, quando se celebram 50 anos de Autonomia Democrática, meio século a consolidar poderes regionais, a afastar tiques centralistas, a explicar a Lisboa que autonomia não é um capricho, é um direito, é Constituição. E, de repente, zás: de bandeja, oferecemos munição ao discurso centralista… novamente.

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O deputado César terá, portanto, de explicar por que razão resolveu vestir o traje de coveiro de uma boa proposta do Parlamento dos Açores,

E no fim de tudo isto, sobra a constatação amarga de que a vaidade política é mais importante do que a defesa dos Açores. Há quem sirva a autonomia; há quem a use como cenário.

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