Foto: ACBBA
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A Associação de Classe do Bote Baleeiro Açoriano (ACBBA) arrancou oficialmente com o projeto para salvaguardar o património marítimo do arquipélago, que contempla a criação de um núcleo dedicado ao bote baleeiro e recuperação de embarcações históricas.

Segundo a associação, o projeto designa-se “Preservar, Navegar e Conectar: Memórias ao Serviço do Futuro” e assume-se como uma aposta estratégica na valorização do bote baleeiro açoriano enquanto símbolo identitário da região, aliando a preservação da memória coletiva à capacitação das novas gerações para a continuidade desta tradição.

A associação, entidade sem fins lucrativos, sublinha que o bote baleeiro é “mais do que memória histórica — é património vivo, é desporto, é identidade coletiva”.

“Ao longo de gerações, estas embarcações moldaram a relação dos açorianos com o mar e continuam hoje a navegar como plataformas desportivas para a prática do remo e da vela, aproximando jovens, antigos marítimos e toda a comunidade”, sublinha a associação, em comunicado enviada à agência Lusa.

No âmbito deste projeto, será criado o Núcleo do Bote Baleeiro do Grupo Oriental, com intervenção direta nas ilhas de São Miguel e Santa Maria.

A estrutura pretende revitalizar a cultura marítima local, dinamizando as comunidades através do desporto náutico, do contacto com a natureza e da participação intergeracional, segundo a associação.

O projeto prevê ainda a recuperação de duas embarcações históricas — o “Veloz” (H-46-B) e o “Santa Madalena” (PD-219-B) —, cuja reabilitação será realizada segundo técnicas tradicionais de construção naval, garantindo a preservação dos “saberes ancestrais e a autenticidade patrimonial”.

A associação explica que este projeto se enquadra na promoção de uma economia azul sustentável nas regiões costeiras, insulares e interiores, contribuindo para o fortalecimento das comunidades piscatórias e de aquicultura.

Ao valorizar o bote baleeiro como ativo cultural, desportivo e comunitário, a ACBBA considera que a iniciativa “poderá gerar impacto social, cultural e económico, reforçando a identidade açoriana e criando novas oportunidades de envolvimento local”.

Os beneficiários diretos são as comunidades de São Miguel e Santa Maria, numa ação promovida pela associação em parceria com o Clube Naval de Santa Maria e outras entidades locais.

De acordo com a Associação de Classe do Bote Baleeiro Açoriano, o projeto conta com financiamento do GAL Pescas Mar Oriental, no âmbito da estratégia de desenvolvimento local, com o apoio da Região Autónoma dos Açores e da União Europeia.

O investimento total elegível ascende a 111.886,80 euros, com o apoio financeiro da União Europeia no valor de 78.320,04 euros, correspondente a um cofinanciamento de 70% através do programa MAR 2030, adiantou.

Com o arranque do projeto, a ACBBA reafirma a sua missão de “estudar, preservar, valorizar, divulgar e promover a utilização” dos botes baleeiros, defendendo que a iniciativa representa não apenas a recuperação de embarcações, mas também de “memórias e comunidades”.

A associação anunciou ainda que lançou esta semana o seu novo ‘site’ institucional, disponível em www.azoreswhaleboat.com, uma plataforma digital destinada a reforçar a comunicação com a comunidade e a dar maior visibilidade às suas atividades, projetos e eventos.

A Associação de Classe do Bote Baleeiro Açoriano está sediada na Marina de Vila Franca do Campo, na ilha de São Miguel.

Foi registada formalmente em 07 de janeiro de 2014 e tem como objetivos “valorizar as embarcações tradicionais da caça à baleia nos Açores, promovendo oferta desportiva, do remo e da vela, em botes baleeiros”, segundo explica a entidade na sua página oficial, sublinhando que os botes baleeiros “assumem papel preponderante na vivência social dos açorianos”.

“Além da sua dimensão histórica, etnográfica e cultural, têm um potencial desportivo que pode ganhar uma importância ainda mais extraordinária daquela que é conhecida hoje”, defende a associação.

 

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