Autor: José Araújo | Fotos: JA
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Pedro Miguel Valério Ribeiro, estivador de profissão, nasceu a 1 de fevereiro de 1979, na freguesia de São Roque, concelho de Ponta Delgada, onde reside até hoje.

Jornal Açores 9 – Como evoluiu o seu percurso no bilhar desde as primeiras experiências nas salas de jogos em Ponta Delgada?

Pedro Ribeiro – Com o passar do tempo, já em idade adulta, joguei em várias salas de jogos de Ponta Delgada, nomeadamente nos “Bilhares Bem”, na Rua de Lisboa, e na sala de jogos do café do Sr. Carlos Cabral, no Pico das Canas, em São Roque. Foi neste último espaço que aperfeiçoei técnicas de jogo, evoluí significativamente e comecei a participar em torneios de pool bola 8 — o equivalente ao atual Pool PT — organizados por Carlos Simões e José Araújo, também grandes entusiastas do bilhar. Recordo que já nessa altura se aplicavam as regras da Federação Portuguesa de Bilhares, que entretanto foram evoluindo.

Jornal Açores 9 – De que forma a passagem pelo Bom Bom Bilhares marcou a sua evolução, desde a primeira filiação federativa em 2001?

Pedro Ribeiro – Recordo com nostalgia os tempos no Bom Bom Bilhares, onde desenvolvi ainda mais as minhas capacidades técnicas, jogando com maior assiduidade e participando em torneios ali organizados. Foi também em 2001, nessa sala de jogos, que me filiei pela primeira vez na Federação Portuguesa de Bilhares. No entanto, não consegui apurar-me para a Taça de Portugal, prova então aberta aos jogadores de São Miguel.

Entre 2001 e 2004 venci algumas provas regionais, mas não consegui o apuramento nacional devido ao ranking da época. Por compromissos pessoais, acabei por deixar a competição federada, jogando apenas de forma recreativa e com pouca regularidade.

Jornal Açores 9 – Como surgiu o seu regresso ao bilhar em 2025, após mais de 20 anos de ausência?

Pedro Ribeiro – Foi numa visita à sala de jogos que o Artur Oliveira me convidou a regressar e a participar em competições informais. Aceitei o convite e, desde então, tenho jogado com bastante assiduidade.

Jornal Açores 9 – De que forma surgiu o convite para competir pelo Bom Bom Bilhares no 1.º Open da Povoação?

Pedro Ribeiro – Aceitei com muito prazer representar o Bom Bom Bilhares no 1.º Open da Povoação, organizado por Adelino Pimentel, onde alcancei o 3.º lugar da classificação geral. Esse resultado motivou-me bastante e passei a frequentar mais regularmente a sala do Bom Bom Bilhares, participando em torneios individuais e de pares, nas variantes Pool PT, bola 8, 9 e 10, organizados pelo Artur Oliveira.

Jornal Açores 9 – Para além de jogador, que contributo deu para a promoção do bilhar?

Pedro Ribeiro – Para além de competir, ajudei na organização e divulgação dos torneios, com o objetivo de atrair mais pessoas para a modalidade e incentivar também a prática de outras variantes do pool.

Jornal Açores 9 – Como se iniciou esta nova fase do bilhar em Ponta Delgada e que dificuldades surgiram no processo federativo?

Pedro Ribeiro – Esta nova fase começou com a tentativa de reativação do clube local. O Bom Bom Bilhares solicitou uma reunião com Pedro Machado, presidente da Junta de Freguesia da Fajã de Baixo, que deu luz verde ao projeto e manifestou apoio. No entanto, o período eleitoral e os meses subsequentes acabaram por atrasar o processo de filiação federativa.

Na foto Pedro Ribeiro e Henrique Ferreira que ficou em 2.º lugar

Jornal Açores 9 – Como surgiu o contacto com a Federação Portuguesa de Bilhares?

Pedro Ribeiro – A ideia de federar os jogadores surgiu numa deliberação entre os principais entusiastas do bilhar. Foi então feito contacto com Ricardo Salgado, membro da direção da Federação Portuguesa de Bilhares, que desde logo acolheu positivamente o projeto.

Jornal Açores 9 – Como foi ultrapassada a dificuldade de filiação e como surgiu a ligação ao Clube Naval?

Pedro Ribeiro – Tudo ficou resolvido numa reunião de entusiastas do Bom Bom Bilhares, realizada a 1 de fevereiro do ano passado. Perante as dificuldades, Henrique Ferreira sugeriu que os jogadores se filiassem no Clube Naval de Ponta Delgada, clube que já o tinha acolhido em provas individuais e por equipas. A proposta foi aceite por todos.

Jornal Açores 9 – Como surgiu a participação no Open dos Candeeiros, em Leiria?

Pedro Ribeiro – A participação nasceu de uma ideia do Henrique Ferreira e de amigos próximos. O Open dos Candeeiros, em Leiria, é um dos maiores eventos nacionais de pool, e o balanço foi muito positivo, sempre com o objetivo de contribuir para a evolução da modalidade em São Miguel.

Jornal Açores 9 – Quem integrou a comitiva açoriana nesse torneio?

Pedro Ribeiro – Participaram, pela primeira vez, eu próprio, Henrique Ferreira, Ruben Abreu, José Castelo, Ricardo Martins e Tiago Policiano, assinalando assim a primeira presença açoriana em torneios no continente.

Jornal Açores 9 – Como decorreram os torneios realizados no último ano?

Pedro Ribeiro – Os torneios de Pool PT, bola 8, 9 e 10 tiveram uma grande adesão, envolvendo antigos e novos praticantes. Foram organizados pelo Artur Oliveira, proprietário do Bom Bom Bilhares, uma sala com cerca de 40 anos de existência.

Jornal Açores 9 – Como decorreu o processo de inscrição no Clube Naval?

Pedro Ribeiro – Teve início em dezembro do ano passado e prolongou-se até ao início do presente ano. Foram inscritos jogadores do Bom Bom Bilhares no Clube Naval e na Federação. O Bom Bom apresentou duas equipas de seis jogadores e 13 atletas em provas individuais. A época desportiva arrancou a 21 de janeiro, com competições federadas em Pool PT, bola 8, 9 e 10.

Jornal Açores 9 – O que representa esta primeira conquista federada?

Pedro Ribeiro – Sinto um enorme orgulho por esta conquista, sendo um dos pioneiros da implementação da bola 9 nos Açores. Dedico esta vitória, em especial, ao Bom Bom Bilhares, que sempre me apoiou, a todos os atletas — dos mais jovens aos mais experientes — e a um grande admirador, o professor Rui Ferreira, já falecido.

Jornal Açores 9 – Como descreve a satisfação de vencer o 1.º Open de Pool bola 9 no dia do seu aniversário?

Pedro Ribeiro – Foi uma enorme satisfação pessoal e também para o Bom Bom Bilhares. Vencer o 1.º Open de Pool bola 9 precisamente no dia do meu aniversário tornou o momento ainda mais especial, celebrado em conjunto com os meus colegas — um verdadeiro festejo a dobrar.

Um pouco de história

Iniciou-se no pool em 1990, com apenas 11 anos de idade, jogando numa pequena mesa de “snooker” ao ar livre, na Madalena, freguesia de São Roque, com jovens da sua idade.

Mais tarde, já com alguns anos a mais, passou a frequentar o café do “Leal”, na 2.ª Rua do Terreiro, que dispunha de uma mesa de pool. A convite de praticantes mais experientes, começou a jogar com regularidade. O desejo de aprender com quem sabia mais permitiu-lhe evoluir rapidamente, ao ponto de conseguir vencer jogos frente àqueles que inicialmente o tinham ensinado.

Em 1995, com 16 anos, começou a frequentar o Salão de Jogos Bom Bom Bilhares, na Fajã de Baixo, após as aulas na Escola Secundária das Laranjeiras.

Já com domínio do taco de bilhar, iniciou-se também na variante de carambola, recordando com apreço os ensinamentos do Senhor Dâmaso, com quem jogou nas mesas do Ateneu Comercial de Ponta Delgada e do Micaelense Futebol Clube.

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