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A secretária regional da Educação, Cultura e Desporto dos Açores, Sofia Ribeiro, disse hoje não ter “dúvida alguma” do sucesso da candidatura da tradição religiosa das romarias quaresmais de São Miguel a património da UNESCO.

“Não tenho dúvida alguma. É uma expressão cultural religiosa que é absolutamente distintiva dos Açores e em especial da ilha de São Miguel”, declarou Sofia Ribeiro à agência Lusa, quando questionada sobre se a candidatura terá condições para vir a ser aprovada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, na sigla em inglês).

A tradição religiosa das romarias quaresmais de São Miguel, já inscrita em 2025 no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, está prestes a ser candidatada a património da UNESCO, informou na sexta-feira o presidente do Movimento de Romeiros.

“É uma valorização cultural. Fechámos o projeto a nível nacional e estamos a trabalhar na candidatura a património da UNESCO. Vai evoluir durante este ano e no próximo”, disse à Lusa o presidente da Comissão Administrativa do Movimento de Romeiros de São Miguel, Rui Melo.

O responsável adiantou que está a ser elaborado um trabalho que integrará o processo de candidatura internacional, reforçando o reconhecimento desta manifestação religiosa com mais de 500 anos.

Rui Melo sublinhou que a candidatura à UNESCO surge numa altura em que se tem intensificado a produção de estudos e obras dedicadas às romarias, trabalhos que valorizam este património passado de “geração em geração”.

Em declarações à Lusa, a secretária regional da tutela, Sofia Ribeiro, disse que são sempre de saudar “todas as potencialidades de inscrição com destaque da cultura açoriana no todo nacional e internacional”.

“A Direção Regional da Cultura apoiará tecnicamente aquilo que os promotores assim entenderem, como temos feito noutras circunstâncias”, disse a governante, sobre a candidatura, alertando, no entanto, para os constrangimentos que possam surgir face “aos muitos projetos que estão a ser candidatados” na região.

As romarias de São Miguel foram, em março de 2025, inscritas no Inventário Nacional do Património Cultural, uma inscrição aprovada pelo instituto público Património Cultural, que destacou a relevância cultural, histórica e identitária dessa manifestação.

Os primeiros ranchos de romeiros de São Miguel partem anualmente para a estrada no fim de semana a seguir à Quarta-feira de Cinzas e os últimos regressam às suas localidades na Quinta-feira Santa.

Trajando um xaile, lenço, bordão e terço, os romeiros fazem um percurso de oração, fé e reflexão, entoando cânticos e rezando, sempre com mar pela esquerda, e passam pelo maior número possível de igrejas e ermidas de São Miguel.

Organizados em ranchos, entoam cânticos e rezas que atravessaram gerações, mantendo viva essa tradição.

O movimento tem despertado interesse académico internacional, e, segundo Rui Melo, um professor de uma universidade da Polónia já tem integrado um dos ranchos de romeiros e um sacerdote polaco, que já esteve no Rancho da Ribeira Quente, desenvolveu um doutoramento sobre a temática.

 

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