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O BE/Açores considerou hoje que a devolução de três milhões de euros concedidas a título de ajudas do Estado no âmbito da reestruturação da SATA, imposta pela Comissão Europeia, revela o “falhanço” do processo.

Em comunicado, os bloquistas consideram que esta é “mais uma demonstração do falhanço do plano de reestruturação apresentado pela região”, bem como “do processo de privatização que é defendido por todos os partidos com representação no parlamento dos Açores, com exceção do Bloco, que já custou centenas de milhões de euros, e que só está a agravar a situação da SATA”.

A SATA tem de reembolsar 3 milhões de euros por falhar a privatização da Azores Airlines, que deveria ter sido concluída em 2025 e cujo prazo foi prorrogado pela Comissão Europeia até final de 2026.

Em junho de 2022, a Comissão Europeia aprovou uma ajuda estatal portuguesa para apoio à reestruturação da companhia aérea de 453,25 milhões de euros em empréstimos e garantias estatais, prevendo medidas como uma reorganização da estrutura e o desinvestimento de uma participação de controlo (51%).

O Bloco considera que o presidente do conselho de administração da SATA, ouvido no parlamento na passada sexta-feira, “não só omitiu esta informação aos deputados, como ainda afirmou que a SATA não estava a incumprir o plano de reestruturação”.

A Comissão Europeia confirmou hoje o reembolso de 28 milhões de euros da TAP e SATA ao Estado português, após ajudas estatais à reestruturação de aproximadamente 3,65 mil milhões de euros, para não afetar a concorrência comunitária.

Após a notícia avançada pelo jornal Público, o executivo comunitário indicou em resposta escrita enviada à agência Lusa ter aprovado, a pedido de Portugal, o adiamento até 31 de dezembro de 2026 da venda da maioria da Azores Airlines pela SATA Air Açores e até 30 de junho de 2026 da alienação das participações da TAP Air Portugal na SPH e na Cateringpor, mantendo as respetivas condições e contrapartidas.

Em declarações aos jornalistas em Ponta Delgada, a secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral (PSD), afirmou que a decisão “dá bem nota da forma como a Comissão Europeia acompanha de perto” o processo de alienação da companhia aérea Azores Airlines.

O consórcio Atlantic Connect Group apresentou em 24 de novembro de 2025 uma proposta de 17 milhões de euros por 85% do capital social da Azores Airlines, que foi chumbada pelo júri do concurso, tendo o Governo dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM) solicitado a prorrogação do prazo para a privatização da companhia até 31 de dezembro de 2026, que foi aceite pela Comissão Europeia.

Em janeiro, o júri da privatização da Azores Airlines propôs a rejeição da proposta do Atlantic Connect Group, a única admitida no concurso, por entender que não “salvaguarda os interesses” da SATA e da região, segundo uma nota de imprensa então divulgada.

Hoje, o consórcio solicitou esclarecimentos à Comissão Europeia, na sequência do parecer negativo do júri à proposta de aquisição da Azores Airlines, defendendo que Bruxelas deve esclarecer que objetivos e critérios estão em causa no processo.

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