De súbito o PS fez voto de silêncio. Um silêncio absoluto, quase mutismo artístico. Parece que lhes confiscaram o dicionário. Nada de “emprego”, nada de “desemprego”. Nem uma sílaba. Um apagão linguístico tão conveniente que até parece doença. Diria ser apenas um azar político: quando os números sorriem, o discurso apaga-se.
Claro, deve ser apenas coincidência o facto de 2025 ter trazido aos Açores a taxa de desemprego mais baixa do país e um valor tão baixo, só comparável com o longínquo ano de 2007. Coincidência também que nunca tenha havido tantos açorianos empregados. E coincidência suprema que a economia esteja a crescer há 55 meses consecutivos, de forma tão saudável que até surpreende quem outrora se habituou à estagnação.
Mas a cereja no topo da ironia é mesmo o rendimento médio do trabalho, que atingiu níveis inéditos. Um feito? Sim. Uma boa notícia para as famílias açorianas? Sem dúvida. Um motivo de orgulho para a Região… e, curiosamente, motivo de absoluto silêncio para os socialistas. Estranho, não é? Se algum indicador estatístico piora, logo abundam os comunicados para dizer tudo o que couber num microfone. Quando as estatísticas melhoram, calam-se devotamente –reconhecer que as políticas dão resultados positivos não fica bem na cartilha socialista.
No fundo, a pergunta impõe-se: por que se cala o PS?
Talvez porque, quando a realidade corre bem, fica difícil manter o argumento de que tudo está mal. E, sem esse argumento, a retórica socialista perde metade da graça.
No fim de contas, o silêncio é a confissão mais eloquente de todas.




