A Santa Casa da Misericórdia da Ribeira Grande, na ilha açoriana de São Miguel, admitiu hoje a entrega, “antes do verão”, da candidatura da inscrição da Procissão dos Terceiros no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.
“Gostaríamos que isso [a candidatura] fosse entregue antes do verão, porque já estamos muito, muito atrasados. […] Houve um comprometimento público de que essa candidatura estaria pronta em dezembro de 2024”, disse hoje à agência Lusa o vice-provedor da Santa Casa da Misericórdia da Ribeira Grande, António Pedro Costa.
Segundo o dirigente, a Câmara Municipal da Ribeira Grande e a Santa Casa da Misericórdia já fizeram tudo o que era necessário e falta a parte final da candidatura, que depende da Secretaria Regional da Educação, Cultura e Desporto.
“E, portanto, estamos agora a aguardar, com alguma preocupação e anseio, para saber quando é que teremos uma candidatura pronta para poder apresentá-la”, disse, indicando que a mesa da Santa Casa já pediu uma reunião à secretária regional da tutela para abordar o assunto.
Explicou que a entidade que está a coordenar a candidatura é a Direção Regional da Cultura e “não tem tido os recursos humanos suficientes para avançar com mais celeridade [com o processo]”.
“Inicialmente, o processo decorreu normalmente, […] com grande entusiasmo por parte dos envolvidos, mas, agora, achamos que, de facto, tem havido algum atraso na conclusão”, admitiu.
António Pedro Costa indicou à Lusa que já foi feito o “levantamento de todas as peças” necessárias para que a candidatura seja aceite.
A Câmara Municipal da Ribeira Grande “deu o seu melhor com os seus recursos humanos”, designadamente em relação à realização de entrevistas e à sua passagem “para o papel”, e a Santa Casa da Misericórdia “recebeu da parte da Direção Regional da Cultura uma informação de que o processo ainda estava a decorrer”.
O vice-provedor lamenta o atraso na apresentação da candidatura e disse que foi pedida uma reunião à secretária regional da Educação, Cultura e Desporto para que o processo “não caia no esquecimento”.
“Estamos ansiosos para saber qual é a tramitação que falta para podermos avançar com a entrega da candidatura”, disse.
Lembrou que a Procissão do Senhor Santo Cristo dos Terceiros, que se realiza anualmente no primeiro domingo da Quaresma, é “única e identitária” dos Açores.
“É um reconhecimento do contributo dos [frades] franciscanos no povoamento das ilhas, porque os franciscanos ao instituírem esta procissão, não foi só na Ribeira Grande, mas em todas as ilhas dos Açores”.
Em São Miguel existiam procissões “muito imponentes” em Ponta Delgada, Vila Franca do Campo, Lagoa, Nordeste e Ribeira Grande e apenas se mantém a da Ribeira Grande, que tem mais de 300 anos.
O evento religioso, realizado anualmente pela Santa Casa da Misericórdia da Ribeira Grande tornou-se “um ato cultural identitário da ilha de São Miguel”, admitiu.
O reconhecimento da inscrição no inventário nacional do património imaterial, “será uma forma de [permitir] que este culto continue e seja mais uma peça para se perceber qual foi o contributo dos franciscanos no povoamento destas ilhas”.
António Pedro Costa sublinhou que os franciscanos “contribuíram de forma muito significativa para o desenvolvimento não só religioso, mas também económico e cultural do povo açoriano”.
A apresentação pública da candidatura da Procissão do Senhor dos Terceiros ao património imaterial decorreu no dia 04 de outubro de 2024, no Museu Vivo do Franciscanismo, e também envolve a Universidade dos Açores.
A procissão volta a realizar-se no domingo, no âmbito da festa em honra do Senhor Santo Cristo dos Terceiros.
O ponto alto da festividade será, pelas 17:00 locais (mais uma hora em Lisboa), a saída da procissão da igreja do antigo Convento dos Frades, hoje Museu Vivo do Franciscanismo, com destaque para a imagem do Senhor Santo Cristo dos Terceiros, que ocupará o destaque dos 10 andores, “todos eles evocando a história de São Francisco de Assis e dos santos pertencentes à Ordem Terceira”, segundo a organização.
A Santa Casa da Misericórdia da Ribeira Grande cumpre, uma vez mais, o seu compromisso de realizar a celebração e continuar a preservar a procissão penitencial que “constitui um importante legado de um património cultural imaterial que valoriza a cidade da Ribeira Grande e mesmo os Açores”.




