A Batalha das Limas é uma tradição carnavalesca que decorreu na terça-feira de Carnaval na Avenida Marginal (Avenida Infante Dom Henrique) em Ponta Delgada, ilha de São Miguel – Açores.
Trata-se de uma grande “batalha de água” em que centenas de pessoas, a pé ou em cima de camiões decorados, participam ativamente, tentando molhar outros participantes no dia do Entrudo.
Este evento é mais um momento de convívio, festa e tradição entre gerações.
Um pouco de história
Inicialmente, durante o Entrudo, era comum as pessoas atirarem água, farinha, ovos ou outros líquidos umas às outras. Em Ponta Delgada começou-se a usar as chamadas “limas”: pequenas bolas ocas feitas de cera ou parafina, recheadas com água perfumada. Essas limas eram lançadas entre participantes como forma de brincadeira na Batalha das Limas. Com o tempo, passaram a usar-se também balões ou sacos com água. O nome “Batalha das Limas” vem precisamente dessas pequenas bolas de parafina com água.
Esta “Batalha das Limas”, começou tradicionalmente com flores, depois com limas (pequenos recipientes de parafina cheios de água) e seringas e, mais recentemente, balões e com sacos de plástico cheios de água (como “armas” de combate).
Com um ano de existência, a Associação Cultural e Recreativa da Batalha das Limas manteve a tradição do Carnaval micaelense único no mundo, e entrar definitivamente na era da sustentabilidade.
Em conversa com Ricardo Possidónio presidente da Associação Cultural e Recreativa da Batalha das Limas, ele dá o exemplo de longevidade, pois já participa há mais de 39 anos. Referiu ainda que houve uma aposta na sustentabilidade da Batalha das Limas “que este ano reduzimos a quantidade de sacos plásticos por camião de 180 quilos de sacos para 100 quilos”.
A Batalha das Limas
Como habitual foi realizada na Avenida Infante D. Henrique, numa área restrita e sinalizada e controlada pela Polícia Municipal. A batalha teve o seu início por volta das 13H30, terminando pelas 17H30.
Participaram nesta Batalha das Limas treze camiões, “Cães de Fila” os “Fúria Azul” do Livramento, “Os Mercenários” do Pico das Canas todos com dois atrelados. Participaram ainda o “Bairro da Lata” da cidade da Lagoa, os “Sempre Presentes”, os “Guerreiros dos Arrifes, os “Santa Canalha”, os “Bombásticos” dos Bombeiros de Ponta Delgada, os “Bad Boys” e os “Caveiras Infernais” este último com um atrelado estacionado na Avenida.
Após a batalha, equipas de limpeza da Câmara Municipal e os próprios participantes colaboram para recolher e separar resíduos, deixando a avenida limpa. A sustentabilidade não se fica apenas com a recolha dos sacos de água após a batalha, uma vez que a associação fez um acordo com a entidade gestora dos resíduos em São Miguel – a Musami e o valor da reciclagem dos plásticos reverte a favor de uma instituição de solidariedade social.
Uma novidade é que pela primeira vez a introdução de 500 limas com cera de abelha, biodegradáveis, em vez de parafina e distribuídas por todos os camiões. As novas limas foram feitas apenas pelos membros da associação, para assim garantir que são feitas de cera de abelha e com uma espessura correta.
Novidades deste ano
Entre as novidades previstas este ano esteve um almoço-convívio agendado para as 11h30, na zona de concentração junto às balanças, em Santa Clara, reunindo cerca de 300 participantes dos treze camiões. Embora a chuva tenha impedido a sua realização no local previsto, não faltaram bifanas, cerveja e as tradicionais malassadas, preparadas fora do recinto.
A iniciativa visava reforçar os laços entre grupos que, até aqui, organizavam os seus próprios convívios nas respetivas bases. Apesar do contratempo meteorológico, que depois melhorou com um pouco de sol de Inverno, o espírito de união saiu reforçado.
A ideia deste almoço convívio era uma necessidade, pois a maioria dos grupos já o realizavam antes da batalha nas suas bases de apoio. Contudo foram criados laços de amizade entre todos os participantes e que irão perdurar na memória de cada um. Assim, a “Batalha das Limas” é para continuar, pois muitos deles já participam há mais de 20 anos e o presidente da associação dá o exemplo.
Outra novidade foi a abertura de uma barraca para venda de sacos de água para quem nos visita nesta altura e quer participar nesta batalha. A prevenção do mar também não foi descurada e com a colaboração do Clube Naval com motas de água para recolher sacos plásticos que eventualmente possam ir parar ao mar.
O que torna esta “Batalha de Limas” única, é a forte identidade açoriana, pois não há vencedores nem vencidos, logo não é uma competição formal.
Para o ano há mais e com mais novidades para o Carnaval micaelense, com o cunho da Associação Cultural e Recreativa da “Batalha das Limas”.




