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Há quem diga que o branco é a ausência de cor. É um meio inconforme aos seus fins, essa afirmação que pode suscitar, até, confusão sob géneros, racismo e racialismo, mas o que vem ao caso são afinidades de espírito fascista, não obstante a democracia liberal, lenta no seu processo evolutivo por estar agrilhoada ao argumentum ad populum por limites e execução das governações autistas, ausência de contemporaneidade no estado do país. Sem cair na oposição estéril, quando se vulgariza a má vontade política de mudar regras com mecanismos do género para-ideológicos ao nível dos negacionistas da sida ou da covid-19 e direito a peer review.

Após a polarização, no quadro da disputa presidencial, esquerda-direita, em que o país se deixou capturar por estereótipos com um vocabulário colapsado ou prematuramente manipulado para o arcaísmo, a nova munificência da comunicação com adesão institucional, responsável pelas eleições, mas aparentemente disciplinada para explorar a tendência do voto num dos candidatos, fez deles pressupostos de polaridade – nostalgia… ̶ por aduzir o voto em branco deslocando-o do sentido de reprovação. Salazar também contou as abstenções como voto favorável, assim julgado por que não!

Dos espaços em branco num jornal, todos nós sabemos que se trata de alterações que à última hora a redação se vê na contingência de a consentir perante o imperativo da publicação a horas, mas em tempos um espaço em branco significou texto censurado [visado pela comissão de censura] espaço esse eliminado, (re)censurado e preenchido, lobotomia de controlo.

Sem a substantífica necessidade de um novo contrato social precipitamo-nos para a representatividade falaciosa, para além da abstenção ‘crónica’, os votos em brancos são marginalizados da análise… numa população de 10,7 milhões… o tal edifício social débil acultura-se, [Ainda terá a verdade alguma importância?]

Parece que já se iniciou a um género de caça ao abutre, business as usual!

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