A Câmara da Povoação, nos Açores, solicitou uma reunião urgente ao Governo Regional, admitindo novas formas de reivindicação caso não obtenha “respostas concretas” em relação à estrada que liga a Povoação às Furnas, recentemente atingida por uma nova derrocada.
“Todos sabemos que é a estrada mais perigosa dos Açores. E já existem alguns registos de acidentes mortais, com deslizamento de terras. Além disso, o piso desde as Furnas até à freguesia de Água Retorta está em péssimas condições. E tudo isto precisa de ser resolvido”, alertou hoje o presidente da autarquia, Pedro Melo, em declarações à agência Lusa.
Pedro Melo afirmou que a situação “é do conhecimento de todos”, mas “há anos que nada se faz” em relação à segurança daquela via do concelho da Povoação, na ilha de São Miguel.
Na segunda-feira, a estrada esteve novamente interrompida durante algumas horas, devido a derrocadas, tendo “a autarquia disponibilizado maquinaria para ajudar a desobstruir a via”, explicou.
Segundo o autarca, circulam diariamente na via centenas de pessoas, entre trabalhadores, professores e alunos.
“Vivemos com o receio de que algum dia possa ocorrer algo de grave”, afirmou o autarca, acrescentando que, nos dias de mau tempo, “a população já pensa duas vezes se vale a pena sair ou não do concelho”.
Pedro Melo recordou que existe um projeto concluído desde agosto de 2021 para a execução da segunda fase da estrada Furnas/Povoação, mas lamenta que o atual executivo regional (PSD/CDS-PP/PPM) “não tenha avançado” com a obra, nem dado “esclarecimentos sobre os próximos passos”.
“Há muitos anos atrás não se fez e, nos últimos cinco anos, com o novo Governo, também não se tem feito nada. Mais grave ainda é que o atual Governo tem um projeto pronto desde agosto de 2021 para executar a segunda fase da estrada Furnas/Povoação e nada fez e nada nos diz em relação ao que vai acontecer nos próximos tempos”, criticou ainda Pedro Melo (PS).
O autarca disse ainda que, durante a campanha para as eleições autárquicas, “o presidente do Governo Regional afirmou na Povoação que o projeto existente, que custou cerca de 200 mil euros, não prestava” e que seria encomendado outro” e disse que aquele foi “o último comunicado” público sobre o processo.
Pedro Melo lembrou que a primeira fase da intervenção já foi concluída, mas é urgente avançar com a segunda fase e proceder à requalificação do piso da estrada entre as Furnas e Água Retorta, que “não tem o mínimo de condições”.
A Câmara Municipal da Povoação já solicitou “uma reunião à secretária regional com tutela da matéria e aguarda a marcação”, adiantou o autarca à Lusa.
“Estamos a aguardar. E, conforme o que nos for transmitido após a reunião, estamos disponíveis para organizar um movimento e lutar por mais condições de segurança para a população e para quem nos visita”, afirmou.
O presidente da Câmara explicou que o movimento vai envolver “todas as forças vivas e todas as pessoas do concelho”, independentemente da filiação partidária, com o objetivo “de fazer pressão junto do Governo e fazer o executivo perceber, de forma rigorosa, a necessidade” que a população tem.
Entre as formas de protesto poderá estar a realização de uma concentração junto ao Palácio de Sant’Ana, em Ponta Delgada, sede da presidência do Governo Regional.
Entretanto, encontra-se também a decorrer uma petição, que conta com mais de 600 assinaturas, a apelar à urgente construção da segunda fase da estrada Furnas – Povoação e melhoramento do piso da via entre a Povoação e Água Retorta.
“Esperamos que a reunião seja marcada o mais rápido possível. A partir daí, daremos os passos seguintes”, vincou o autarca.




