Joaquim Machado, Deputado do PSD/Açores ALRAA
PUB

Vai para uma dúzia de anos, António José Seguro era líder do PS e venceu as eleições europeias: mais um deputado e quatro pontos percentuais do que o PSD. Ainda assim, o sucesso foi considerado “poucochinho”. E logo os baronetes do partido puseram em marcha o assalto ao cargo, inventando umas eleições primárias para a escolha do candidato a primeiro-ministro, com direito à participação de simpatizantes.

O golpe palaciano foi arquitetado por velhos apparatchiks, sedentos de poder. Valeu tudo para apear Seguro. Um fulano empertigado, justificou a traição invocando o “discurso vazio, inexpressivo, cheio de truques” e as “encenações tecnomediáticas” do secretário-geral, por essa altura, já caído em desgraça.

António José Seguro foi à sua vida, fazer o percurso académico que a política interrompera, assumir uma profissão e aventurar-se na área dos negócios, no interior do país, onde tudo é mais difícil, sabemos, e só o regresso genuíno às origens justifica tanta paixão.

Foi aí, no espaço e no modo, que começou a ganhar as eleições presidenciais, mesmo que tal ideia e objetivo estivessem longe dos seus propósitos.

A vitória de domingo está muito marcada por essa dimensão de normalidade que Seguro construiu, provando que a política não é profissão ou um modo de vida exclusivo, mas antes uma etapa de serviço numa trajetória pessoal e profissional.

Sim, a alternância saudável entre vida ativa e exercício de funções públicas é um dos fatores mais sólidos de independência e liberdade de consciência, da confiança e legitimidade democrática.

A primeira lição está dada.

PUB