O BE/Açores voltou a insistir hoje que uma eventual parceria entre SATA e TAP é a “melhor solução” para a mobilidade e as finanças da região, bastando haver “vontade política” entre os governos da República e Regional.
Em nota de imprensa, o Bloco cita uma entrevista do presidente do conselho de administração da SATA à RTP Açores para referir que Tiago Santos “reconheceu ‘a bondade da proposta’ e disse que até pode ‘concordar com ela’”.
“O presidente da SATA considera, no entanto, que neste momento a solução de um entendimento com a TAP não é possível, mas não explicou porquê. Para o Bloco, a solução só depende da vontade política dos governos liderados por José Manuel Bolieiro e por Luís Montenegro”, refere-se.
Recorde-se que ambas as operadoras aéreas encontram-se sob intervenção estatual no âmbito de uma reestruturação financeira aprovada pela Comissão Europeia.
Segundo os bloquistas, o Governo da República “tem de deixar de fingir que este assunto não lhe diz respeito”, considerando que “a saída da Ryanair dos Açores é um aviso claro, e mostra que só se pode confiar no que é de todos para a garantia da mobilidade”.
“A SATA e a TAP são a garantia que os Açores não são abandonados à sua sorte, sem ligações aéreas decentes”, afirma o Bloco.
O Bloco de Esquerda já anunciou que levará à próxima sessão plenária do parlamento dos Açores uma proposta para a negociação de uma parceria estratégica com a TAP “em alternativa à privatização e ao encerramento da Azores Airlines”.
Em janeiro, o júri da privatização da Azores Airlines, num relatório intercalar, propôs a rejeição da proposta do consórcio Atlantic Connect Group, a única admitida no concurso, por entender que não “salvaguarda os interesses” da SATA e da região, segundo uma nota de imprensa divulgada, na altura.
O consórcio Atlantic Connect Group apresentou em 24 de novembro de 2025 uma proposta de 17 milhões de euros por 85% do capital social da Azores Airlines, tendo o Governo dos Açores solicitado a prorrogação do prazo para a privatização da companhia até 31 de dezembro de 2026, que foi aceite pela Comissão Europeia.
Após o “chumbo” do júri do concurso, o empresário Carlos Tavares, do consórcio Atlantic Connect Group, considerou que o “ponto essencial” para compra da Azores Airlines é a assunção do passivo pela região, sob pena de não haver negócio.
Em entrevista à Lusa, Carlos Tavares considerou esta condição “sine qua non”.
Em junho de 2022, a Comissão Europeia aprovou uma ajuda estatal portuguesa para apoio à reestruturação da companhia aérea de 453,25 milhões de euros em empréstimos e garantias estatais, prevendo medidas como uma reorganização da estrutura e o desinvestimento de uma participação de controlo (51%).











