As tempestades que assolaram o País permitem-nos tirar lições importantes para o nosso futuro. Uma delas é sobre a relação com a Natureza a que pertencemos e que nos permite viver. Urge inverter um modelo económico insano, socialmente desumano e ambientalmente desastroso: o capitalismo não é verde! A alternativa está num modelo de desenvolvimento socialmente mais justo e ambientalmente sustentável.
A segunda é que, nos apertos, só a solidariedade do Povo salva o Povo. Vizinhos, amigos, familiares, gente com pouco ou nada estende a mão a quem ficou pior, ajudando e partilhando. Quanto às empresas que, em cada ano, atingem lucros que as pessoas comuns nem podem imaginar, ficam caladas. Nem bens perto do prazo de validade, nem os que ajudem a fazer face à emergência, se dispõem a oferecer.
Mudando as personagens, vimos Ventura, à frente das câmaras, fazer a única coisa que sabe: gritar sem apresentar soluções, desta vez contra ministros que só sobrevivem com o apoio do CH no Parlamento, na esperança de, um dia, poder fazer pior que eles. Procura assim esconder que é essencial para viabilizar o governo, sempre que isso favorece os verdadeiros donos do sistema. Dou dois exemplos disso mesmo.
O voto do CH permitiu que a lei da habitação fosse aprovada. Ora, tal como o PCP denunciara na altura, soube-se agora que aumentaram os lucros dos donos do sistema e diminuíram as receitas do Estado, enquanto o Povo comum continuou a viver cada dia pior.
Quando o PCP quis debater, no Parlamento, os impactos da tempestade e o apoio às populações afetadas, o CH ajudou o governo a fugir…
Outra lição, das muitas a tirar, é sobre o resultado de privatizações contrárias ao interesse público e do desinvestimento em serviços públicos. É o SIRESP que falha sempre que é preciso, é a rede elétrica sem capacidade para resolver problemas atempadamente, é a manutenção que falha por falta de meios técnicos, orçamento e trabalhadores no quadro. Os negócios vantajosos para os grandes privados deixam sempre o interesse público a perder…
Tudo isto diz muito do rumo que o nosso futuro exige… Num jogo sempre viciado, saibamos mudar as suas regras!


