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Pequeno comércio local e restauração, creches, alojamento intergeracional, habitação e zonas de lazer, constituem algumas das medidas para a reabilitação da Fábrica da Sinaga, em Ponta Delgada, propostas pela Ordem dos Arquitetos.

No relatório da proposta orientadora para a intervenção e requalificação da secção dos Açores da Ordem dos Arquitetos, a que a Lusa teve acesso, propõe-se a criação de um espaço interpretativo sobre a fábrica da Sinaga, em Ponta Delgada, e as agroindústrias que emergiram na segunda metade do século XIX, “numa perspetiva da história económica e do empreendedorismo da época”.

A Secção Regional dos Açores da Ordem dos Arquitetos e a Secretaria Regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública assinaram um protocolo de colaboração, a 11 de novembro de 2024.

Na sequência do protocolo, foi ainda celebrado um contrato de prestação de serviços, a 27 de novembro de 2024, visando “definir uma estratégia e encontrar uma solução conciliadora e exequível” para a intervenção e requalificação da Fábrica do Açúcar, no concelho de Ponta Delgada, e da Fábrica do Álcool, no concelho da Lagoa, ambas na ilha de São Miguel.

A fábrica da Sinaga era uma indústria de transformação de açúcar, situada em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, encontrando-se oficialmente extinta desde 31 de dezembro de 2021.

No documento, defende-se a criação de pequeno comércio local e restauração, destinados à oferta de bens, uma pequena indústria de produtos alimentares, com local de consumo, para pequenos produtores e empreendedores locais, escritórios privados ou ‘coworking’ em edifícios reabilitados, destinados à oferta e prestação de serviços à comunidade.

Estes serviços serão direcionados a ‘freelancers’, startups, pequenas empresas, sendo que equipas remotas “podem utilizar a infraestrutura comum para desenvolver as suas atividades, mantendo independência, mas com oportunidades de colaboração e ‘networking’, visando a partilha de experiências e de conhecimento, o estímulo da criação e inovação e o desenvolvimento económico, social e cultural, tanto do indivíduo, como da sociedade”.

O relatório prevê ainda a criação de uma creche/centro de dia, serviços da administração pública regional e local, através da relocalização de serviços do Governo Regional e eventualmente da autarquia, destinados à prestação de serviços à comunidade.

Um alojamento intergeracional para idosos, estudantes e jovens através da criação de unidades de habitação de tipologia T0, com espaços de utilização coletiva, tais como sala convívio e lazer e sala de leitura e estudo, a par de um espaço multiusos para associações, constituem outras medidas propostas.

Propõe-se ainda um edifício memória de património industrial, espaços verdes e de lazer.

Sugere-se a articulação com o pavilhão multiusos previsto no programa ou criação de uma “black-box”, para acolher performances de base audiovisual, a par da criação de espaços multifuncionais destinados a reuniões, congressos de pequena dimensão e espaços de demonstração, nomeadamente certames nas áreas do turismo e das atividades comerciais.

O relatório defende a criação de um jardim etnobotânico, que une botânica, cultura, história e educação, “valorizando o conhecimento tradicional sobre as plantas ligadas à agroindústria açoriana”.

Propõe-se ainda a promoção de conhecimento científico, “através da eventual ligação aos centros de investigação da Universidade dos Açores e da rede de museu regional ou mesmo nacional”.

A Ordem dos Arquitetos sugere a “urgência de uma intervenção nas coberturas dos principais edifícios afetos à laboração do açúcar, de forma a conter a degradação galopante a que estão sujeitos devido à infiltração de águas pluviais”.

 

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