O bispo de Angra, D. Armando Esteves Domingues, defendeu hoje, o reforço do diálogo inter-religioso como um dos grandes desafios culturais e educativos da atualidade, no encerramento de um encontro que assinalou o sétimo aniversário da Declaração sobre a Fraternidade Humana, assinada em Abu Dhabi em 2019 pelo Papa Francisco e pelo grande imã de Al-Azhar.
Na intervenção final, o prelado açoriano elogiou “todos os homens sem medo da história” que escolhem a fraternidade como resposta às tensões do mundo contemporâneo, sublinhando que o documento assinado nos Emirados Árabes Unidos continua a ser um apelo atual, apesar das resistências que ainda suscita em diferentes contextos religiosos, incluindo no seio da própria Igreja Católica.
Recordando o gesto simbólico dos dois líderes religiosos “unidos em torno do mesmo livro”, D. Armando afirmou que o texto de Abu Dhabi “é património de todos”, mesmo que nem todos o acolham plenamente, considerando que o caminho da fraternidade exige uma mudança de mentalidades que passa pela educação e pela cultura.
O também presidente da Comissão Episcopal para o Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso, entidade promotora da iniciativa, agradeceu a “experiência de fraternidade” vivida durante o encontro, que, disse, proporcionou novas perspetivas e reforçou a convicção de que o encontro entre pessoas de diferentes crenças tem capacidade transformadora.

Na sua reflexão, partilhou episódios pessoais para ilustrar a necessidade de coerência na rejeição de discursos de ódio e intolerância, reconhecendo que já optou por se afastar de contactos marcados por posições hostis em relação a muçulmanos. Para o bispo, o século XXI tem sido fortemente marcado pelo medo — do terrorismo às pandemias —, com impacto profundo nas relações humanas.
“Talvez a nossa segurança esteja no abraço do irmão”, referiu, retomando a imagem do gesto vivido em Abu Dhabi, que classificou como um ato com força simbólica e prática, capaz de gerar mudanças reais, mesmo quando o encontro não é físico.
D. Armando Esteves Domingues destacou ainda o papel da escola, da universidade e das comunidades religiosas na promoção de uma cultura de fraternidade, defendendo que a educação para o conhecimento do outro estimula a curiosidade, o estudo e o desenvolvimento. Professores, padres e bispos, afirmou, têm responsabilidade direta nesse processo.
No final, deixou um alerta contra uma visão meramente formal do diálogo inter-religioso, sustentando que não basta criar estruturas ou comissões. O essencial, frisou, é o conhecimento concreto das pessoas, a proximidade e os gestos de encontro, que considerou fundamentais para construir relações baseadas na confiança e no respeito.




















