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O PAN/Açores pediu hoje “firmeza governamental” ao executivo regional de coligação PSD/CDS-PP/PPM depois de a Ryanair anunciar que vai encerrar a base nos Açores no final de março, motivada pelas taxas aeroportuárias e pela tributação ambiental europeia.

Em comunicado, a representação parlamentar do PAN reitera que os Açores “não podem ser reféns de empresas que recusam assumir responsabilidades ambientais, alertando que a forma como o Governo Regional comunica e defende os interesses dos Açores no exterior é determinante para a credibilidade e futuro” do turismo.

“A região deve manter uma estratégia ambiental coerente, responsável e alinhada com os desafios climáticos atuais. A proteção do património natural, que é a base da nossa economia e identidade, não pode ser sacrificada para satisfazer exigências de uma companhia aérea que procura operar sem contrapartidas ambientais”, afirmou o deputado regional do PAN, Pedro Neves, citado na nota.

A Ryanair vai encerrar a base nos Açores no final de março, uma decisão “final”, motivada pelas taxas aeroportuárias e pela tributação ambiental europeia, disse na quarta-feira o presidente executivo da companhia aérea em entrevista à Lusa.

“É a decisão final. Vamos abandonar a base em março”, afirmou o CEO da Ryanair, Michael O’Leary, rejeitando qualquer possibilidade de recuo.

O responsável acrescentou que, desde este ano, “as ilhas – as Canárias e os Açores – foram integrados no regime europeu de tributação ambiental” e, por isso, “uma família de quatro pessoas que viaje de Lisboa para os Açores […] terá de pagar 96 euros de taxas ambientais”.

Segundo o CEO, a Ryanair só admite regressar com mudanças profundas.

“Poderemos reabrir a qualquer momento no futuro? Sim, mas só quando os impostos ambientais forem abolidos [e] quando as taxas aeroportuárias nos Açores forem drasticamente reduzidas”, afirmou.

O PAN/Açores manifestou hoje o seu “total repúdio” pelas declarações do CEO da Ryanair, referindo que a posição assumida pela companhia “resulta de uma estratégia concertada do ‘lobby’ da aviação para combater as regras impostas pela União Europeia com vista ao cumprimento das metas da neutralidade carbónica”.

“Esse comportamento – semelhante ao adotado pelo setor automóvel num passado recente -, privilegia o lucro imediato em detrimento do interesse público na proteção ambiental, sobretudo se considerados os impactos ambientais do setor da aviação, tais como emissão de gases com efeito de estufa, poluição sonora e efeitos sobre ecossistemas insulares fragilizados, o que requer estratégias claras de mitigação e políticas regulatórias que incentivem a redução dessas externalidades”, justificou,

O partido dá o exemplo da companhia aérea açoriana SATA que renovou a sua certificação ambiental e procura alinhar-se às metas da neutralidade carbónica.

“A tributação ambiental é uma ferramenta necessária para internalizar custos que, de outra forma, ficam a cargo da comunidade e das gerações futuras”, concluiu.

O PAN/Açores lembra que, em 2025, Pedro Neves também referiu que os Açores não podem aceitar empresas que “tratem a região apenas como uma conveniência operacional”.

 

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