Joaquim Machado, Deputado do PSD/Açores ALRAA
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Há na praça quem julga que o rancor à governação faz um programa para o futuro. Por mais que se faça e bem, todos os dias a trupe exibe forte entusiasmo na crítica, pouco importando o rigor (em regra, escasso).

Os peritos do descontentamento têm uma qualidade admirável, a arte de nunca, em circunstância alguma, admitir que algo melhorou. O raciocínio é, portanto, simples e infalível: tudo o que o Governo faz é insuficiente por definição.

Se o desemprego desce para níveis que antes eram sonho, é irrelevante. Se se investe mais em serviços públicos de saúde do que em qualquer momento do passado, respondem que é cosmética. Se a pobreza diminui, dizem que é o efeito de novas regras estatísticas. Se o abandono precoce de educação e formação desce para níveis históricos, contrapõem que somos os piores do país. Se há mais voos para todas as ilhas, dizem que faltam sempre lugares no dia e hora que cada um deseja viajar. Se o turismo é um sucesso, logo se afligem com os efeitos da massificação.

Esta orquestra do desânimo afina na mesma nota: nada presta, nada chega, nada serve. A fasquia é sempre colocada milímetros acima de qualquer resultado alcançado. É uma arte curiosa, esta de transformar cada avanço em miragem e cada progresso em falha moral. Deste modo, guardam para si a eterna modéstia do “eu é que sei”, verdadeira prece orgulhosa dos entendidos, ainda que um passado recente de resultados vulgares desminta os fleumáticos cavalheiros.

Enquanto colecionam queixas, a realidade insiste em contrariá‑los — o que, convenhamos, deve ser profundamente desagradável.

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