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O representante nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira da Associação Nacional dos Locadores de Veículos (ARAC), Luís Rego, alertou hoje que a saída da Ryanair dos Açores terá um “impacto enorme” na região.

“Se nós formos analisar, no aspeto geral, a percentagem que representa a Ryanair no transporte aéreo para a região, se calhar, estamos a falar de 10, 12%, ou, no máximo, 15%, mas, na nossa atividade, o impacto é superior, e pode chegar acima dos 30 ou 40%”, disse à agência Lusa Luís Rego.

A companhia aérea de baixo custo Ryanair reafirmou na terça-feira que vai abandonar a operação nos Açores a partir de 29 de março devido às “elevadas taxas aeroportuárias” e à “inação” do Governo português.

Segundo o representante nos Açores da ARAC, as empresas de aluguer de automóveis no arquipélago receberam a notícia com “alguma preocupação”.

“A companhia ‘low-cost’ tem uma rede enorme na Europa e um peso enorme na região em termos de lugares disponíveis. Para além de que os turistas que viajam na Ryanair são os clientes que mais alugam viaturas, porque são pessoas que viajam individualmente e, por isso, são os potenciais clientes”, acrescentou.

O dirigente admitiu que o facto de a companhia aérea deixar de voar para os Açores terá “um impacto enorme” na atividade das empresas de ‘rent-a-car’, porque a região “não teve tempo, com essa decisão muito em cima da hora, de reunir condições para conseguir negociar com outra companhia que a viesse substituir”.

“O Governo Regional tem anunciado que a SATA e a TAP, as companhias que estão aqui a voar, e outras companhias que vão voar pela primeira vez para a região, […] podem vir a minimizar o impacto, mas, no nosso entender, dificilmente alguém consegue substituir a Ryanair pela dinâmica, pela filosofia e pela rede que tem na Europa”, vincou Luís Rego.

A Ryanair já tinha anunciado o cancelamento de todos os voos para os Açores em novembro de 2025, uma posição que levou as autoridades açorianas a alertar que as negociações com a companhia ainda não estavam encerradas.

Na terça-feira, a companhia aérea reiterou a posição manifestada em novembro do ano passado, ao garantir o cancelamento de todos os voos de e para os Açores a partir de 29 de março de 2026.

Em resposta à agência Lusa, a transportadora irlandesa reiterou que vai cancelar as seis rotas que atualmente realiza no arquipélago açoriano, justificando com as “elevadas taxas aeroportuárias” da ANA Aeroportos e a “inação” do Governo, que “aumentou as taxas de navegação aérea em +120%” após a covid-19 e “introduziu uma taxa de viagem de dois euros, numa altura em que outros Estados da União Europeia (UE) estão a abolir taxas de viagem”.

O Governo Regional dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM) assegurou na terça-feira que as conversações com a Ryanair continuam, com vista a que a companhia mantenha a sua operação com o arquipélago depois de março, disse à Lusa fonte da Secretaria Regional do Turismo.

“Tanto quanto nós sabemos, as conversações continuam com a Ryanair”, disse.

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