Foto: Futurismo Azores Adventures
PUB

O presidente da Associação de Guias de Informação Turística dos Açores (AGITA), Paulo Bettencourt, disse hoje que a anunciada saída da Ryanair será muito má para a região e admite que alguns profissionais possam abandonar a atividade.

“Para nós [guias de informação turística] é mau e, no geral, vai ser [também] muito mau [para a região]”, afirmou à agência Lusa Paulo Bettencourt.

Hoje, o presidente executivo da companhia aérea, em entrevista à Lusa, disse que a Ryanair vai encerrar a base nos Açores no final de março, uma decisão “final”, motivada pelas taxas aeroportuárias e pela tributação ambiental europeia.

“É a decisão final. Vamos abandonar a base em março”, afirmou o CEO da Ryanair, Michael O’Leary, rejeitando qualquer possibilidade de recuo e contrariando o Governo Regional dos Açores.

A companhia aérea de baixo custo Ryanair também reafirmou na terça-feira que vai abandonar a operação nos Açores a partir de 29 de março devido às “elevadas taxas aeroportuárias” e à “inação” do Governo português.

“Claro que, da nossa parte, temos sempre algum receio que venha alguém a abandonar a atividade, porque nós não sabemos o que é que vai ser definido” a partir do momento em que a companhia aérea deixar de operar para os Açores, referiu o presidente da AGITA.

Na opinião de Paulo Bettencourt, é necessário que as entidades regionais com responsabilidades no setor encontrem alternativas que colmatem a decisão da transportadora aérea irlandesa.

“Claro que tem de ser feito algo, porque não é só o facto de a Ryanair sair dos Açores que vai fazer com que diminua o turismo, porque há sempre outras [companhias aéreas a operar]. A questão é que só o facto de a Ryanair voar para os Açores já é uma grande publicidade, que é feita, em geral, ao arquipélago todo”, vincou.

Segundo o presidente da direção da AGITA, a Ryanair “é uma companhia que voava todo ano, mesmo de inverno” para os Açores e, de momento, não existe “outra maneira de mitigar esta falta da Ryanair na região”.

A Ryanair já tinha anunciado o cancelamento de todos os voos para os Açores em novembro de 2025, uma posição que levou as autoridades açorianas a alertar que as negociações com a companhia ainda não estavam encerradas.

Na terça-feira, a companhia aérea reiterou a posição manifestada em novembro do ano passado, ao garantir o cancelamento de todos os voos de e para os Açores a partir de 29 de março de 2026.

Em resposta à agência Lusa, a transportadora irlandesa reiterou que vai cancelar as seis rotas que atualmente realiza no arquipélago açoriano, justificando com as “elevadas taxas aeroportuárias” da ANA Aeroportos e a “inação” do Governo, que “aumentou as taxas de navegação aérea em +120%” após a covid-19 e “introduziu uma taxa de viagem de dois euros, numa altura em que outros Estados da União Europeia (UE) estão a abolir taxas de viagem”.

O executivo açoriano de coligação (PSD/CDS-PP/PPM) assegurou na terça-feira que as conversações com a Ryanair continuam, com vista a que a companhia mantenha a sua operação com o arquipélago depois de março, disse à Lusa fonte da Secretaria Regional do Turismo.

“Tanto quanto nós sabemos, as conversações continuam com a Ryanair”, disse.

“Não estão em curso quaisquer conversações com o Governo dos Açores”, respondeu hoje o CEO da empresa, apontando problemas estruturais: “Em primeiro lugar, as taxas aeroportuárias na ilha são demasiado caras para o que é”, afirmou.

PUB