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O presidente da Associação do Alojamento Local dos Açores (ALA) considerou hoje que os empresários estão “muito preocupados” com a anunciada saída da Ryanair do mercado regional, face ao investimento realizado.

João Pinheiro recordou, em declarações à Lusa, que, a confirmar-se a saída da operadora irlandesa, será “o “primeiro ano em que os Açores vão enfrentar uma época turística sem uma ‘low-cost’ a operar” para a região desde 2015.

A companhia aérea de baixo custo reafirmou na terça-feira que pretende abandonar a operação nos Açores a partir de 29 de março devido às “elevadas taxas aeroportuárias” e à “inação” do Governo português.

“A eventual saída da Ryanair é má não só para o alojamento local, mas para todo o turismo dos Açores e mesmo para a mobilidade dos açorianos”, declarou o dirigente da ALA.

Os Açores, acrescentou, “são nove ilhas e necessitam muito do transporte aéreo”.

“Não tendo uma companhia de ‘low cost’ a voar para a região, é mau”, reiterou.

O Governo Regional dos Açores assegurou na terça-feira à Lusa que as conversações com a Ryanair continuam, com vista a que a companhia mantenha a sua operação com o arquipélago depois de março.

“Tanto quanto nós sabemos, as conversações continuam com a Ryanair”, disse fonte da Secretaria Regional do Turismo.

Hoje, o presidente executivo da Ryanair, Michael O’Leary, alertou, numa conferência de imprensa em Lisboa, para o impacto da fiscalidade ambiental europeia nas ligações aéreas aos Açores, considerando que as rotas se tornaram economicamente inviáveis.

“Uma família de quatro pessoas a viver em Lisboa que queira ir passar um fim de semana aos Açores paga 96 euros em impostos ETS [Sistema de Comércio de Emissões de gases de efeito estufa da UE]”, disse, acrescentando que voos para destinos fora da União Europeia, como Marrocos, estão isentos.

“Pode simplesmente matar os Açores”, afirmou, defendendo a abolição da fiscalidade ambiental para regiões periféricas.

Na sua opinião, “os Açores só têm retorno se a fiscalidade ambiental for abolida, nomeadamente para as ilhas periféricas como os Açores, como a Madeira”.

A Ryanair anunciou também na terça-feira um lucro líquido provisório de 30 milhões de euros no terceiro trimestre fiscal de 2025, em comparação com os 149 milhões de euros no mesmo período do ano anterior.

De acordo com o relatório divulgado, a companhia reduziu temporariamente a projeção de lucros devido a uma provisão de 85 milhões de euros para cobrir uma multa imposta em Itália.

Excluindo a provisão referida, a Ryanair registou um resultado líquido de 115 milhões de euros no terceiro trimestre do ano fiscal – menos 22% do que no ano anterior.

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