A opinião só é verdadeiramente livre quando não é condicionada pela mentira, pelo ódio e pelo medo. A Democracia deve negar estes elementos profundamente negativos, mas não é isso que tem acontecido.
As redes cada vez mais antissociais tornaram-se palco privilegiado da mentira e do ódio, mas estão longe de ser o único. As sondagens acertam cada vez menos e condicionam cada vez mais – nas vésperas das eleições, falharam quase todas as previsões, mas continuam a ser vendidas como rigorosas. O comentário televisivo deturpa a realidade, enquanto é vendido como isento e racional. Centenas de notícias e de entrevistas sem contraditório fomentam o ódio e a divisão social. Há, sem dúvida, jornalismo sério, digno desse nome, mas o seu espaço reduz-se a cada dia que passa.
Tudo isto serve apenas a uma minoria privilegiada, com poder económico suficiente para influenciar – ou quase determinar – toda a vida coletiva. Decide quais os assuntos a relegar para segundo plano e quais favorecer, quanto tempo merecem e sobre que perspetiva devem ser observados. Estas são decisões não escrutinadas, tomadas por quem tem capital suficiente para as tomar, deturpando a Democracia.
O medo e o ódio exprimem justos descontentamentos, mas não só são inúteis para alterar as injustiças que os originam, como ajudam a avolumar outras, servindo para atacar quem menos culpa tem e que, normalmente, vive em piores condições. Crianças e jovens com futuro adiado, salários que perdem poder de compra todos os dias e listas de espera infindáveis na saúde são a política que constrói a desilusão com a Democracia. Tem, por isso, de esconder que é, por natureza, antidemocrática e contrária à Constituição de Abril. Assim se afastam os Cidadãos da política e da Democracia.
Estes são processos inaceitáveis em Democracia, porque a desvirtuam e enfraquecem. Que reduzem o voto à escolha do mal menor, em vez daquilo que deveria ser: a livre expressão da opinião de cada um. Mas nada disto é inevitável: a esmagadora maioria prefere a Democracia ao ódio e à divisão. Está, por isso, nas nossas mãos assegurar um futuro mais justo e melhor para todos!


