No tempo que vai até à segunda volta das “Presidenciais”, como no clássico filme “Nove Semanas e Meia”, teremos com fartura paixão, tensão e jogos psicológicos – um remake mais curto, mas igualmente intenso.
Tal como no filme, também aqui se passará muito tempo a testar limites. No cinema, eram desafios sensuais com vendas nos olhos. Na campanha serão desafios menos glamorosos, como ver quem consegue fingir surpresa com sondagens que todos já tinham visto no dia anterior. Não haverá gelo a derreter lentamente no corpo de ninguém, mas teremos promessas a derreterem ainda mais depressa sob o calor da curiosidade jornalística e o ódio dos TikToks.
E se em “Nove Semanas e Meia” tudo é um jogo de sedução, nas nossas “Duas Semanas e Meia” a sedução também existe. Só muda o público-alvo. Em vez de olhares intensos, há sorrisos estudados. Em vez de música de fundo sugerindo romance, há jingles de campanha, já gastos de tanta repetição. No filme, a tensão cresce até ao clímax emocional, nos dias que correm cresce até alguém descobrir que afinal há um tweet antigo que contradiz tudo o que foi dito nesta campanha.
Enfim. No ecrã, sabemos, a história termina num dramatismo inevitável. Dia oito de fevereiro, o desfecho também será dramático, é certo, com menos lágrimas cinematográficas, mas muitos comentários e análises a dizerem que “o povo decidiu” e “agora é tempo de unir o país”, todos cheios do patriotismo e convicção típicos das noites eleitorais.
No final, tanto no filme como na campanha, o público fica sempre a mesma pergunta: “Era mesmo preciso tudo isto?”


