PDL26 leva projeto de teatro infantil “Boca Aberta” a escolas e jardins-de-infancia

O projeto de teatro infantil “Boca Aberta” leva este mês ao concelho de Ponta Delgada, nos Açores, o espetáculo “Cabe mais um?”, que chegará a 900 crianças de jardins-de-infância e escolas, no âmbito da Capital Portuguesa da Cultura.

“É um espetáculo completamente interativo. Não passa só por um entretenimento. Mas, a partir de uma linguagem acessível para as crianças, desenvolver um espaço de criação e reflexão junto dos mais novos, permitindo estimular o pensamento”, disse hoje à agência Lusa Lúcia Moniz, da curadoria para o Teatro do projeto PDL26 – Capital Portuguesa da Cultura.

O “Boca Aberta” desenvolve apresentações em contextos escolares e em equipamentos culturais, visando promover o acesso às artes performativas em proximidade com as comunidades educativas, desafiando crianças e adultos a descobrir o teatro enquanto linguagem artística, ferramenta pedagógica e lugar de encontro, segundo a PDL26.

Entre 19 e 30 de janeiro, o espetáculo será apresentado em vários estabelecimentos de ensino do concelho de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, em sessões distribuídas por várias freguesias e diferentes horários, ao longo da manhã e da tarde, permitindo que crianças das escolas básicas e jardins-de-infância tenham contacto com a experiência artística.

Paulo Quedas, que faz dupla com Lúcia Moniz na curadoria para o Teatro da PDL26, explicou à Lusa que o “Boca Aberta” tem duas fases, uma em janeiro e outra em março, fruto de parcerias que permitiram a descentralização.

Ambos os espetáculos são encenados por Catarina Requeijo, que dirige o projeto, e são concebidos de “uma forma lúdica, leve e descontraída” para as salas de aula, potenciando, no final, das sessões “uma interação com as crianças”.

“O objetivo é fazer com que o teatro chegue a todos. Proporcionar novas experiências criativas, que estimulem a curiosidade, a imaginação e o pensamento crítico. Este projeto vai conseguir chegar a 900 crianças do concelho de Ponta Delgada”, acrescentou Lúcia Moniz.

Concebido especificamente para crianças a partir dos 3 anos, “Cabe mais um?” respeita “os ritmos, as capacidades de atenção e os universos imaginativos do público infantil, promovendo o contacto precoce com as artes performativas enquanto instrumento de desenvolvimento, aprendizagem e fruição cultural”, realça a organização.

A itinerância pelas escolas reforça, segundo a PDL26, “o compromisso com a descentralização cultural” e com “o acesso à criação artística em contexto educativo”, valorizando a proximidade às comunidades e às realidades locais.

Paulo Quedas explicou à Lusa que o espetáculo tem a duração de cerca de meia hora e conta a história de dois gatos que se conhecem muito bem, mas veem a sua rotina alterada com a chegada de um cão à casa onde vivem, numa narrativa que aborda, de forma lúdica, temas como a convivência, a diferença e a aceitação.

Para além das sessões em contexto escolar, está prevista uma sessão aberta ao público no dia 24 de janeiro, às 11:00 locais (12:00 em Lisboa), na Escola Básica e Integrada dos Arrifes, com entrada gratuita, mediante o levantamento prévio de bilhete, cujas informações serão oportunamente divulgadas.

Lúcia Moniz destacou que este projeto contribui simultaneamente para a capacitação de profissionais das áreas da educação e da cultura.

“Há também a vertente da formação, que está incluída no projeto, fazendo com que os educadores possam fortalecer ou desenvolver ferramentas de expressão dramática”, vincou.

Criado em 2015, o “Boca Aberta” é um projeto de teatro para a infância, a partir dos 3 anos, promovido pelo Teatro Nacional D. Maria II e pela Fundação “la Caixa”, em colaboração com o BPI e em parceria com o Plano Nacional das Artes e vários municípios.

A cidade de Ponta Delgada, nos Açores, dará início oficial ao seu ano como Capital Portuguesa da Cultura a 29 de janeiro, no Coliseu Micaelense, com o espetáculo “Deixa Passar a Vida”.

Depois de Aveiro, em 2024, e Braga, em 2025, Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, é este ano Capital Portuguesa da Cultura, antes de Évora ser Capital Europeia da Cultura em 2027

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