Um simples gesto no telemóvel devolve-nos hoje a informação meteorológica que em tempos idos só seria assegurada por muita experiência de vida e recurso a rudimentares instrumentos, claro, para minimizar erros de previsão.
O cata-vento era a mais fiável dessas tecnologias auxiliares. Montado no cimo da chaminé ou outro lugar elevado e aberto, apontava com todo o rigor a direção da aragem – sul, oeste, norte e assim por diante – e à menor variação lá indicava o novo ponto cardeal.
Por pudor estético, o cata-vento caiu em desuso. Aparentemente, porque os políticos logo se apropriaram do engenho, digo, da arte de se virar para o lado do vento favorável. Talvez sugestionados pelo sucesso da navegação quinhentista, deixam embalar-se na navegação à vista, na espuma das notícias e das redes sociais.
De um momento para o outro, tudo parece rodopiar à volta do subsídio social de mobilidade, como se este fosse o alfa e o ómega das nossas vidas. Sejamos claros, a exigência do Terreiro do Paço sobre a nossa situação contributiva e fiscal, como por regra são as leis ditadas para as ilhas adjacentes, é delirante e convoca repúdio, no mínimo. Mas não justifica o entulho proclamatório que vai na praça, onde toda a sorte de gente sentencia sobre o assunto, sem dominar o enredo ou medir a palavra. Neste pechisbeque cómico vale dizer tudo para agradar à plateia, mais agora que a malta vai a votos e é preciso cair em graça.
Até os candidatos a Belém viraram meteorologistas do subsídio, soprando opiniões ao vento, esperando que alguém, ao menos, lhes aplauda o rodopio.


