O líder do PS/Açores alertou hoje que a “má gestão financeira” do Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) não é um “problema abstrato” e está a “afetar diretamente a vida das pessoas” através das “falhas graves” no transporte escolar.
“Quando falamos de finanças públicas, não falamos apenas do Governo [Regional]. Falamos das pessoas. Falamos, por exemplo, de famílias e de crianças que não conseguem ir à escola porque os compromissos não são pagos”, afirmou Francisco César num comunicado.
A suspensão do serviço de transporte escolar por uma empresa privada na Lagoa afetou hoje cerca de 70 alunos, por pagamentos em atraso do Governo dos Açores, que espera resolver a situação até ao final da semana.
O presidente do PS na região avisou que, além da situação na Lagoa, a “mesma situação poderá ocorrer em Rabo de Peixe” na terça-feira, tratando-se de um “exemplo claro de como a má gestão financeira deixa de ser um problema abstrato para passar a afetar diretamente a vida das pessoas”.
Francisco César acusou o executivo dos Açores, liderado por José Manuel Bolieiro (PSD), de ter um “discurso desligado da realidade” devido às “falhas graves” no transporte escolar.
“De nada serve o secretário regional das Finanças dizer em conferências de imprensa que estamos melhor do que no ano passado, ou o presidente do Governo garantir, na sua mensagem de Natal, que os Açores estão bem, quando, na prática, há crianças que ficam sem transporte escolar porque o Governo não paga aquilo a que está obrigado”, insistiu.
Francisco César referia-se às declarações do secretário das Finanças, em 05 de janeiro, nas quais Duarte Freitas destacou o crescimento da economia e salientou que a dívida dos Açores está a crescer com os governos PSD/CDS-PP/PPM a um ritmo inferior em 25% “ao que crescia no tempo dos governos socialistas”.
O também deputado do PS na Assembleia da República defendeu que o “contraste entre o discurso oficial e a realidade vivida no terreno revela a necessidade urgente de mudança de rumo” na governação regional.
“Mais cedo ou mais tarde, todos vamos pagar a fatura deste caminho, porque o que está a acontecer tem consequências reais”, reforçou o socialista.
Vários encarregados de educação protestaram hoje na Escola Básica Integrada de Lagoa, em São Miguel, devido à interrupção do transporte escolar por parte uma empresa que reclama pagamentos em atraso do Governo dos Açores.
A responsável pela empresa “justificou a interrupção do transporte escolar com a “falta de pagamento do Governo Regional” referente aos serviços de outubro, novembro e dezembro de 2025.
“Cheguei ao extremo. Já não tenho condições para trabalhar. Tenho empresa com funcionários e tenho de pagar. Tenho de pagar transportes e toda a logística. Financeiramente estou derrotada. Se não recebo, como posso sustentar a minha empresa? Infelizmente, as crianças é que tiveram de ficar em casa”, lamentou Sónia Câmara.
Em declarações à Lusa, o diretor regional da Educação e Administração Educativa confirmou os pagamentos em atraso, admitindo que a “situação não é a desejável”, mas assegurou estar a “trabalhar para pagar o mais rapidamente possível”.
“Estamos a tratar de colocar o dinheiro nos fundos escolares para que possam fazer o pagamento. A expectativa é que ainda durante esta semana o dinheiro chegue aos fundos escolares”, garantiu Rui Espínola.


