A Associação de Alojamento Local dos Açores (ALA) alertou hoje para “a instabilidade” vivida nas ligações marítimas das ilhas do Faial, Pico e São Jorge, asseguradas pela Atlânticoline, devido à “falta de planeamento e previsibilidade”.
Segundo a ALA, no final de dezembro a empresa disponibilizou horários “apenas para os primeiros dias de janeiro” e, quase duas semanas após o novo ano, “continuam a existir horários e possibilidade de reserva apenas até 14 de janeiro”. A associação afirma, ainda, que se está perante uma situação “incompreensível e inadmissível”, sobretudo por se tratar de uma empresa pública, com “responsabilidades acrescidas para com a população e a economia da região”.
Em comunicado, a associação, presidida por João Pinheiro, manifesta “profunda preocupação e indignação” face à situação atual nas ligações marítimas das ilhas do Faial, Pico e São Jorge (ilhas do Triângulo), apontando que esta “instabilidade afeta diretamente a confiança dos visitantes” e “penaliza os agentes económicos que dependem de uma programação antecipada”.
Por outro lado, a situação cria “constrangimentos graves” à população local nas deslocações por motivos de lazer, profissionais e, “mais preocupante ainda”, por razões de saúde.
A associação lembra ainda que para muitos açorianos as ligações marítimas são “uma necessidade essencial”.
No setor do turismo, apontado como estratégico para o desenvolvimento económico dos Açores, a ALA considera que esta situação revela “uma clara falta de visão, organização e articulação”, já que os operadores turísticos, agências de viagem, empresas de animação turística e turistas “ficam impossibilitados” de planear viagens, estadias e as atividades, “comprometendo reservas, investimentos” e a imagem dos Açores “enquanto destino fiável e organizado”.
A associação apela a uma atuação urgente por parte da Atlânticoline e das entidades tutelares, para que seja possível uma divulgação “atempada e previsível” dos horários, reservas com a antecedência necessária e um serviço público de transporte marítimo “à altura das necessidades da população e das ambições turísticas da região”.
“Não é aceitável que, em pleno mês de janeiro, continue a não existir informação clara e atempada sobre horários de transporte marítimo interilhas, especialmente numa rota tão relevante como a do Triângulo”, critica.
Para a Associação de Alojamento Local, os Açores “não podem continuar reféns da incerteza e da improvisação num serviço que é estrutural para a coesão territorial e para o desenvolvimento económico do arquipélago”.
Por seu turno, a Atlânticoline refere que, “contrariamente ao que é afirmado pela ALA, a empresa “disponibilizou, no final do ano passado, viagens para reserva até 31 de maio de 2026”.
“No âmbito da transição para um novo sistema de reservas e embarques — comunicada hoje através de nota à imprensa — todas as reservas para viagens com data posterior a 14 de janeiro devem ser efetuadas na nova plataforma. Esta informação foi atempadamente comunicada a todos os parceiros da Atlânticoline e encontra-se igualmente disponível no ‘site’ da empresa”, refere-se em nota de imprensa.
A Atlânticoline salvaguarda que dispõe de um ‘contact center’, acessível por telefone e por e-mail, através do qual “qualquer dúvida ou esclarecimento poderia ter sido prontamente obtido”.
A operadora marítima reconhece que “o cenário ideal seria já estarem disponíveis as viagens até ao final do ano, prevendo-se que tal venha a acontecer até ao final de janeiro”.
A Atlânticoline adianta que 2026 “é um ano atípico, marcado pela implementação de um novo sistema de vendas e embarques, um processo tecnicamente complexo, que, inevitavelmente, pode gerar alguns constrangimentos temporários”, e manifesta ainda “estranheza por não ter sido solicitado qualquer pedido de esclarecimento prévio sobre a disponibilização dos horários”.


