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Depois dos acontecimentos dos últimos dias na Venezuela e nos EUA, assistimos a um espetáculo mediático marcado por falsas narrativas e pelo esquecimento de factos inconvenientes para os interesses deste país. Infelizmente, a promoção de um pensamento único é esmagadora, favorecendo três enganos interligados.

O primeiro engano é que Trump é um acidente de percurso, que será ultrapassado e que não representa o sistema político-económico do seu país. Trump é um fiel representante desse sistema, do capitalismo mundial e da extrema-direita que este promove em todo o planeta. O apoio explícito dos milionários do seu país demonstra-o e os poucos conflitos que são públicos não correspondem a discordâncias de fundo – são, apenas, a vontade de satisfazer os interesses e as gulas particulares.

O segundo engano é que os EUA são um exemplo de democracia. A eleição para a presidência é decidida não pelo povo, mas pela elite económica que, em cada campanha, investe dinheiro suficiente para matar a fome no país. Essa elite escolhe a personalidade que melhor serve os seus interesses e nela deposita esperanças, mas sobretudo fortunas. Para não correr riscos, investe também noutra candidatura, numa espécie de seguro que perpetua um sistema bicéfalo construído para acumular riqueza apenas num lado da balança. Trump recebeu a maior fatia dessas grandes contribuições, mas Biden e Harris não ficaram em branco – se os dados públicos forem rigorosos (o que é questionável), no conjunto, recolheram mais de 2 mil milhões de euros. Desvirtua-se assim a democracia, tornando-a num vazio espetáculo mediático.

O terceiro engano é que a sua motivação são os direitos humanos e a democracia. Se dúvidas houver, recorde-se que este é o país que, depois da 2.ª Guerra Mundial, mais países bombardeou e que mais ditadores apoiou.

Trump abriu agora uma nova porta, mas, ao contrário das falsas narrativas que nos querem vender, não agiu por conta própria. Age para manter a hegemonia mundial de um poder que perde relevância todos os anos. O melhor que podemos fazer é exigir o cumprimento do direito internacional, uma ferramenta essencial na construção da paz mundial!

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