O presidente do PS fez hoje uma “avaliação positiva” do mandato de Marcelo Rebelo de Sousa e considerou que o Presidente da República (PR) recusou a visão que o “Governo procura vender” na mensagem de Ano Novo.
“São conhecidas as divergências em alguns momentos fundamentais face a medidas tomadas pelo Presidente da República, mas no conjunto do seu mandato fazemos uma avaliação positiva, que contribuiu para a consolidação da democracia portuguesa e do Estado de direito”, afirmou Carlos César, na sede do partido em Ponta Delgada, nos Açores.
Na sua última mensagem de Ano Novo como chefe de Estado, feita em direto a partir do Palácio de Belém, Marcelo Rebelo de Sousa manifestou na quinta-feira o desejo de que 2026 seja um ano com mais saúde, educação, habitação, justiça, tolerância e concordância em Portugal, com ainda mais emprego e menos pobreza.
Em reação, o presidente do PS considerou que Marcelo Rebelo de Sousa deixou uma “mensagem clara” de “recusa” ao “inconformismo” e à “visão” que o Governo liderado por Luís Montenegro “procura vender”.
“Ainda que de forma subliminar ou por interposta autoria, [o Presidente da República] deixou uma mensagem clara no sentido da recusa do inconformismo, que é como quem diz a recusa de uma visão de um beijo dourado que o Governo procura vender”.
Para os socialistas, a mensagem do Presidente da República também apresentou uma “recusa do logro que constituiu os que se apresentam como salvadores de ocasião” e dos “radicalismos extremistas salvíficos”.
“Para o PS, o que importa neste início de ano é que os portugueses reganhem a confiança e a esperança na sua vida futura e na do país. Uma esperança e uma confiança que estão muito fragilizadas. É preciso reforçar a confiança no Estado de Direito com um melhor governo”, vincou.
A propósito da reforma laboral apresentada pelo Governo, Carlos César alertou que o executivo “não dispõe de maioria absoluta” e considerou “indispensável” o diálogo com os parceiros sociais.
“O Governo diz que há todo o mérito seu na situação em que estamos a encontrar de crescimento económico e da confiança do investimento externo. Não se compreende que seja o próprio Governo a destruir essa imagem que procura passar condicionando o futuro da economia a uma reforma laboral que vai introduzir perturbação”, defendeu.
O presidente do PS enalteceu a “grande proximidade democrática” de Marcelo Rebelo de Sousa, apesar de ter tomado decisões que “prejudicaram a estabilidade política” ao longo do mandato presidencial.
“Numa década, o que é mais marcante no exercício da magistratura presidencial é a sua proximidade com os portugueses, o valor que representou do ponto vista de consolidação do Estado democrático e de Direito”, reforçou.
Na mensagem de Ano Novo, o Presidente disse esperar, em termos globais, “um ano com mais desenvolvimento, mais justiça, mais liberdade, mais igualdade, mais solidariedade”.
“O mesmo desejo vale para nós, vale para Portugal. Ano novo, vida nova. Também com mais saúde, mais educação, mais habitação, mais justiça, ainda mais crescimento, ainda mais emprego e menor pobreza e desigualdade”, acrescentou, pedindo também “mais tolerância, mais concordância” e “sentido de coesão nacional”.




















