Autor: PM | Foto: PS Açores
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O deputado do PS/Açores José Ávila alertou hoje para os efeitos económicos e sociais das novas limitações ao envio de carga aérea a partir das ilhas Graciosa, Flores, Faial, Santa Maria e São Jorge, defendendo uma intervenção urgente do Governo Regional para salvaguardar os exportadores e a coesão territorial.

Em causa está uma comunicação da SATA Cargo, divulgada apenas a 30 de dezembro, dando conta de que, a partir de 1 de janeiro de 2026, deixaria de ser possível efetuar o rastreio por raio-X de determinados tipos de mercadorias nesses aeroportos, nomeadamente carga húmida, como o pescado, devido à inexistência de equipamentos compatíveis com um novo regulamento europeu.

Segundo o parlamentar socialista, a aplicação imediata da medida inviabiliza, na prática, o transporte aéreo de produtos essenciais para a economia local, afetando empresas que dependem quase exclusivamente deste meio para escoar bens frescos e colocando em risco postos de trabalho em ilhas com maiores fragilidades estruturais.

José Ávila criticou ainda o momento e a forma como a decisão foi tornada pública, considerando que a comunicação tardia impossibilitou os operadores económicos de se adaptarem ou de encontrarem alternativas logísticas. O deputado levantou também dúvidas quanto à atuação da transportadora aérea, referindo que a SATA se preparava para cobrar uma taxa associada à inspeção por raio-X, apesar de os equipamentos disponíveis não cumprirem os requisitos legais agora exigidos.

Perante este cenário, o PS/Açores submeteu um requerimento ao Governo Regional a solicitar esclarecimentos sobre os fundamentos da decisão, os critérios adotados, a ausência de diálogo prévio com os agentes económicos e as comunidades afetadas, bem como sobre as soluções previstas para mitigar os prejuízos causados às empresas exportadoras.

O parlamentar socialista defendeu que o executivo regional deve assumir um papel ativo na resolução do problema, garantindo que as exigências de segurança não se traduzem em novos fatores de desigualdade entre ilhas e não penalizam territórios já sujeitos a maiores constrangimentos de acessibilidade.

O PS/Açores apelou, por isso, a uma atuação célere do Governo Regional junto da SATA e das entidades competentes, no sentido de encontrar soluções técnicas e operacionais que permitam restabelecer o transporte de carga aérea e assegurar condições equitativas de desenvolvimento em todo o arquipélago.

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