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O Dia Mundial da Paz, primeiro dia do ano, foi instituído por proposta do Papa Paulo VI, há quase 50 anos, para juntar todos os verdadeiros amigos da Paz, independentemente das suas crenças religiosas. Esta vontade ganha atualidade num tempo marcado por perigos, chantagens, ingerências e agressões. Exige-se, hoje, a construção de um Mundo Novo.

Não sou ingénuo: sei que a guerra e as armas continuam a ser os negócios mais lucrativos e, portanto, são os maiores obstáculos à construção de uma Paz plena e verdadeira. Qualquer transformação a sério exige romper com uma sociedade construída para favorecer o mais forte. Implica a cooperação e o respeito pelas diferenças de cada País e de cada Povo, em vez do domínio pela força.

A recentemente anunciada “Estratégia de Segurança Nacional” dos EUA revela um país que considera ter direito à supremacia sobre todos os restantes. Trump é, sem dúvida, uma personagem perigosa. Contudo, o problema é muito mais profundo: reside numa elite de milionários que, sozinha, detém 6 vezes mais riqueza do que 4 mil milhões de seres humanos. É essa elite que vê na guerra a saída para a crise que se aprofunda todos os dias e que tudo fará para manter o domínio geopolítico mundial.

Em 2025, os países europeus e a União Europeia revelaram a sua completa subordinação aos interesses dos EUA, salvo honrosas exceções. Se dúvidas houvessem, foram rapidamente esclarecidas perante o compromisso de aumentar os gastos militares e a fraquíssima e tímida posição perante as ameaças à Gronelândia, quando atravessamos uma grave crise social de múltiplas dimensões que será agravada por esta lógica dominante.

É tempo de uma alteração política de fundo, que combata as desigualdades, construa novos equilíbrios e implemente uma lógica social na qual cada um contribua de acordo com as suas possibilidades e receba de acordo com as suas necessidades – e não de acordo com a sua ganância.

A Paz é um objetivo central da maior parte da Humanidade – de quem não lucra com a guerra. Que esta maioria se junte, em 2026, para exigir passos em direção a um Novo Mundo, livre de conflitos e assente na Paz verdadeira!

https://jornalacores9.pt/2025/01/03/opiniao-rui-teixeira-um-ano-verdadeiramente-novo-precisa-se/

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