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O Governo Regional dos Açores informou hoje que está a fazer “todos os esforços” para que seja reposto o transporte aéreo de carga húmida nas cinco ilhas em que deixou de ser possível fazê-lo na quinta-feira.

“O Governo Regional está em conversações com a ANA e com a SATA. Está a fazer todos os esforços para que a situação seja reposta o mais rapidamente possível”, avançou, em declarações à Lusa, fonte oficial da Secretaria Regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas.

Na terça-feira, a SATA Air Açores informou os comerciantes de que, a partir de quinta-feira, 01 de janeiro, deixaria de ser possível rastrear nos aeroportos de cinco ilhas carga húmida, como pescado e outros bens alimentares frescos.

Em causa está a alteração do regulamento da União Europeia n.º 2015/1998, de 05 de novembro, que exige equipamentos de raio-x ‘dual view’, que ainda não foram instalados nas ilhas Graciosa, São Jorge, Flores, Faial e Santa Maria.

A SATA prevê que a situação se encontre ultrapassada “até ao final do primeiro trimestre de 2026”, mas até lá recomenda que a carga húmida seja enviada “de barco para a ilha mais próxima que cumpra com o regulamento”.

Os aeródromos de São Jorge e da Graciosa são geridos pela SATA Gestão de Aeródromos e os aeroportos do Faial, das Flores e de Santa Maria pela ANA – Aeroportos de Portugal.

A situação foi denunciada na quarta-feira pela Associação dos Comerciantes do Pescado dos Açores (ACPA) num comunicado publicado nas redes sociais.

“A ACPA apela às entidades competentes para que sejam encontradas soluções urgentes, evitando que várias ilhas fiquem, na prática, excluídas do transporte aéreo de pescado, com graves consequências económicas e sociais logo no início de 2026”, lê-se no comunicado.

A Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD) e o PS/Açores alertaram hoje para os impactos económicos destas limitações.

A associação empresarial, que representa os empresários das ilhas de São Miguel e Santa Maria, apelou a que “as entidades competentes, em articulação com os operadores aeroportuários e de transporte aéreo, encontrem respostas eficazes que permitam assegurar o escoamento do pescado e de outros produtos perecíveis, sem comprometer a segurança nem penalizar desproporcionadamente as empresas e os territórios insulares”.

Os empresários criticaram a “ausência de investimento estruturado e atempado” nestas infraestruturas e lembraram que o regulamento europeu está “em vigor há vários anos” e impunha já às entidades gestoras aeroportuárias “a obrigação de assegurar que os aeroportos dispõem dos equipamentos e das condições técnicas necessárias ao cumprimento das normas europeias de segurança”.

Também o PS/Açores alertou hoje, em comunicado, para os “graves impactos económicos e sociais” das restrições ao envio de carga aérea.

Os socialistas apresentaram um requerimento ao Governo Regional a exigir explicações e apelaram a uma intervenção rápida junto da SATA e das entidades competentes, para que sejam encontradas soluções técnicas e operacionais que permitam restabelecer o transporte de carga aérea.

“O Governo Regional não pode alhear-se desta situação. É sua responsabilidade garantir que nenhuma ilha é deixada para trás e que as regras de segurança não se transformam num fator de desigualdade e penalização para quem já enfrenta maiores constrangimentos”, afirmou o deputado socialista José Ávila.

A Lusa tentou também obter uma reação da Federação das Pescas dos Açores, sem sucesso até ao momento.

 

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