Autor: Lusa | Foto: CCIPD
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As acessibilidades aéreas e marítimas continuam a ser uma das principais preocupações da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD), que hoje fez um balanço da atividade desenvolvida pela associação empresarial na defesa da economia regional.

“Alertámos, de forma reiterada, para a redução e instabilidade da oferta aérea, para a excessiva concentração do mercado, para o impacto da sazonalidade e para os riscos económicos associados à perda de conectividade da região”, recordou o presidente da CCIPD, Gualter Couto, em conferência de imprensa, em Ponta Delgada.

Os empresários da maior ilha dos Açores estão preocupados com o anunciado abandono da região pela companhia aérea ‘low cost’ Ryanair, mas também com as consequências que o processo de privatização da Azores Airlines (a companhia área pública açoriana, que faz as ligações de e para fora do arquipélago), poderá ter no turismo e na mobilidade dos açorianos.

“Preocupações relativamente à fragilidade das acessibilidades, à necessidade de reforço da operação no inverno IATA [definido pela Associação Internacional de Transportes Aéreos], à diversificação de companhias e destinos, bem como à urgência de estabilidade estratégica no transporte aéreo, num contexto particularmente sensível, marcado pelo processo conturbado de privatização da Azores Airlines”, recordou Gualter Couto.

O empresário lembrou que foi por essa razão que a Direção da CCIPD se reuniu com o presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, e com os gabinetes dos ministros das Infraestruturas e da Economia, Miguel Pinto Luz e Manuel Castro Almeida, respetivamente, para tentar alertá-los para os constrangimentos vividos na região em matéria de transportes aéreos.

No caso do transporte marítimo, as queixas dos empresários estão relacionadas com os “graves constrangimentos” verificados ao longo do ano no setor das mercadorias, defendendo-se uma revisão do modelo em vigor, no sentido de garantir “maior previsibilidade na operação, redução de sobrecustos logísticos e uma solução estrutural que respeite os princípios da coesão territorial”.

No que respeita aos transportes terrestres e à mobilidade interna, a CCIPD entende que é necessário adaptar os modelos existentes ao novo paradigma do mercado de trabalho, marcado por horários diferenciados, regimes de turnos, trabalho ao fim de semana e maior flexibilidade na organização das atividades económicas.

“A insuficiência de soluções de transporte público ajustadas a esta realidade penaliza trabalhadores e empresas, condiciona o acesso ao emprego e aos serviços e fragiliza a vivência urbana, tornando imperativo o desenvolvimento de respostas mais flexíveis, articuladas e alinhadas com as necessidades atuais da economia regional”, referiu o patrão dos empresários micaelenses.

O turismo é outra das preocupações da CCIPD, atendendo aos dados estatísticos mais recentes, que dão sinais de abrandamento da procura, quebra de dormidas, estagnação de indicadores de rendibilidade e aumento significativo dos custos operacionais das empresas.

“A direção alertou para a insuficiência do investimento em promoção turística, para a falta de previsibilidade na gestão do destino e para a necessidade de uma estratégia integrada que articule acessibilidades, promoção externa e qualificação da oferta”, recordou Gualter Couto, acrescentando que é urgente reforçar os meios financeiros, técnicos e operacionais da promoção turística dos Açores.

Os empresários açorianos manifestaram igualmente a sua preocupação com a evolução da segurança nos principais centros urbanos da região, alertando para o impacto que a “perceção de insegurança” pode ter na vivência das cidades, na atividade económica e, em particular, na imagem dos Açores enquanto “destino turístico seguro”.

A escassez de mão de obra nos Açores, a falta de qualificação profissional dos trabalhadores, as dificuldades no acesso à habitação e os atrasos do pagamento de apoios por parte do Governo Regional foram outras preocupações manifestadas pela direção da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada.

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