A Federação Agrícola dos Açores (FAA) manifestou hoje preocupação e indignação perante o anúncio da Lactogal de uma redução de três cêntimos por litro no preço do leite pago ao produtor, com efeitos a partir de 1 de janeiro de 2026, no território continental.
Em comunicado, a estrutura representativa do setor agrícola alerta que a decisão, tomada de forma unilateral, poderá afetar de imediato um elevado número de produtores e desencadear uma reação em cadeia na indústria, conduzindo a novas descidas de preços.
A FAA recorda que os produtores açorianos recebem atualmente os valores mais baixos do país, situação que, segundo a federação, coloca muitas explorações no limite da sustentabilidade económica e sem capacidade para suportar custos ou investir.
A organização associa ainda esta decisão ao atual contexto europeu, sublinhando as propostas de revisão da Política Agrícola Comum, que apontam para uma redução significativa das verbas no próximo quadro financeiro plurianual e para o fim do programa POSEI, cenário que, no entender da federação, agravaria a vulnerabilidade do setor nas regiões ultraperiféricas.
Para a Federação Agrícola dos Açores, a redução anunciada compromete a viabilidade das explorações leiteiras, desmotiva os produtores e poderá acelerar o abandono da atividade, colocando em risco o futuro da produção de leite no arquipélago. A FAA considera igualmente injustificada a invocação de uma evolução negativa dos mercados europeus, lembrando que as subidas de preços registadas no continente e na Europa não tiveram reflexo nas ilhas.
A federação garante que rejeita qualquer redução do preço do leite pago à produção nos Açores e avisa que, caso a medida venha a ser aplicada na região, acionará os mecanismos de defesa ao seu alcance. A organização destaca ainda a qualidade do leite açoriano, que considera não estar a ser devidamente valorizada pela indústria.
Citado no comunicado, o presidente da FAA, Jorge Rita, questiona como é possível justificar cortes no preço do leite num contexto de aumento generalizado dos custos e escassez de mão-de-obra, alertando que sem produtores não há futuro para a indústria.




















