Por ekphrasis, consciencialização da palavra-imagem, prolífico e sinótico da opacidade interposta nos elementos reduzindo o primeiro ao imperativo do segundo. No que vem ao caso melhor será dizer, conscientização de que o momento fundador foi substituído por imagens dos instantes históricos ad hoc em que a palavra é a infraestrutura da legenda.
Sem qualquer contra-argumento científico; um [Chancilier federal d’Allemagne] a declarar que sem o apoio militar da Alemanha, o “Estado de Israel não existiria hoje”, imagine-se, o dito a ser evocado pelo exterminador implacável. Tais imagéticas são fundamentais, como as comparações que nos definem, na ilustração das preocupações expressas na carta aberta do Professor Jeffrey Sachs ao chanceler alemão, sobre o papel da Alemanha no centro da crise ucraniano-europeia que remonta ao compromisso violado no contexto da reunificação alemã de não expansão da NATO para Leste e a participação alemã no bombardeamento pela NATO de Belgrado à margem da ONU. Desse capítulo da história política, a rutura com o Tratado sobre Mísseis Antibalísticos, determinou paradoxalmente a corrida armamentista e nuclear, a instalação da importante base militar da Nato em Pristina foram pronunciando a finalidade da invasão da Ucrânia e por outro lado a reescrita de outro ‘containment’. Ou seja, conter a nova Ordem Mundial.
É consabido e registado em largas escalas de tempo e espaço que o Poder identificado com o solo, recursos e o consumo humano pressupostos do Estado soberano – O Estado como forma de vida, (Rudolf Kjellén) ̶ atual teve os seus precedentes no jogo dos piratas e corsários. Estes, da ‘pós-contemporaneidade’, os da prática do confisco de ativos para reparação e recuperação, logro das dívidas pelos crimes que nunca pagaram por que história da terra patrum escrita pelos vencedores seguida por apagadores que se atomizam na mudança de escala em perseguição do capitão Jack Sparrow, ao chegarem à praia. Falta-lhes, politicamente, a entoação dos cânticos dos frades e irmãos da Compagnia dei Neri, da caridade dedicada aos presos condenados, como que num soneto de motu proprio, aplicada aos povos da Europa, pelas políticas desastrosas da democracia nacionalizada pelo grande Estado, unionista, para além da noção comunitária. De pouco mais que o exoesqueleto de prerrogativa de comunidade de nações, a doxa conjugada por encenados erros de casting, reconfigurada ablação, “Lehman Sisters” previsto por Christine Lagarde em contexto de outra crise, do colapso premeditado, harmonizado de proxies de representação universal, do constructo incisivo que torneia a technè dos microfascismos, só por descuido se cai na armadilha da a-referencialidade, são variações do mesmo… agora em larga medida a do Estado falhado, no que se refere à ausência crónica da segurança, mas a partir de dentro.
A Rússia foi responsiva ao confisco dos seus ativos e ‘simétrica’. Os crimes europeus contra o Direito Internacional e contra a inviolabilidade das reservas soberanas saiu-lhes caro… A Rússia em 48 horas espoletou a nacionalização, dos ativos corporativos europeus no seu território; a BP, a Shell, a Total Energie, a Siciété Générale, as fábricas da Volkswagen, da BMW e da Mercedes; empresas de processamento alimentar, redes de distribuição, propriedade intelectual e demais sectores, superando o valor que a UE havia confiscado à Rússia. Entre outras decisões em reciprocidade, o euro deixou de ser uma moeda de reserva global, o rublo e o yuan substituíram-no nas importações de energia. Foi anunciado o Brics Plus Reserve Fund, um fundo capitalizado pela Rússia, China, Índia, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, entre outros países face à prevenção contra a “instrumentalização financeira ocidental”. Não estranham o silêncio da comunidade internacional e dos seus média?




















