A Assembleia da República aprovou, recentemente, a chamada lei do lobby. Espantosamente, só os deputados do PCP votaram contra uma lei que torna legal aquilo que hoje é considerado corrupção.
Não estamos a falar da pequena corrupção. Sobre essa, o Estado é, e bem, rápido a agir. A legislação agora aprovada facilita, ainda mais, o chamado tráfico de influências e a promiscuidade entre o privado e o público. Num mundo em que quem tem poder económico, manda, abre-se caminho para novas vantagens escandalosas, quase sempre à custa do interesse e de dinheiros públicos.
Da parte da extrema-direita, o apoio aos grupos de pressão ilegítima não é motivo para admiração. Contudo, o mesmo não posso dizer de quem se afirma de esquerda – normalmente de esquerda moderna, seja lá isso o que for. Apoiando algo que deve envergonhar a Democracia e a República, revelam que o que consideram moderno é a adesão ao consenso neoliberal que o candidato presidencial António Filipe tem denunciado – o único a colocar o dedo nesta ferida. Se já se sabia que este consenso ia do PS ao CHEGA, ficamos a saber que inclui também o LIVRE e o BE. De moderno, isto não tem nada – já na Roma antiga e nas cortes reais o lobby era prática corrente.
Mudando de assunto, para a declaração inaceitável do ministro da educação: culpar quem tem menores rendimentos pela degradação das residências universitárias, dos hospitais, da escola pública e dos serviços públicos em geral é demasiado grave. O desmentido feito poucas horas depois pareceu irreal, perante as declarações gravadas para a posteridade, que não deixam dúvidas sobre o que pensa o ministro.
Poderia ter pedido desculpas ou assumir que haviam sido declarações infelizes. Pelo contrário, preferiu atirar-nos areia para os olhos. Esta é mais uma prova que este governo – ele sim, o verdadeiro responsável pela degradação dos serviços públicos – não tem lugar num Estado de direito democrático, que se diz comprometido com a igualdade de oportunidades e com o combate à pobreza.
Estes são dois exemplos de que inverter caminho é urgente, para construir uma sociedade mais equilibrada, inclusiva e democrática.




















