“AVISO: A SUA PENDÊNCIA FINANCEIRA NÃO FOI QUITADA. PENHORA PREVISTA PARA O DIA 24/12/2025. QUITE VIA PORTAL DAS FINANÇAS PARA O LINK HTTP://GOV-AT.COM”
A primeira reação do cidadão ao receber uma mensagem desta natureza, é carregar no link para saber o que se passa. Em bom rigor, ninguém gosta de ter problemas com “contas por pagar”, correto?
Decerto, não é a primeira vez que vê uma situação deste género. A forma de praticar o crime está cada vez mais sofisticada, de modo a induzir o cidadão em erro sobre a veracidade da situação em que foi colocado.
Engane-se quem acha que só os mais idosos são alvos deste tipo de crime. São cada vez mais frequentes os crimes praticados contra pessoas, que em bom rigor, dispõem de todas as condições para distinguir uma situação fraudulenta de uma situação real, mas que devido às práticas sofisticadas do agente criminoso, dificultam cada vez mais a perceção do que “está certo, e o que está errado”.
As burlas informáticas constituem uma realidade crescente em Portugal, acompanhando uma tendência que se verifica a nível mundial. A globalização digital permite que os “burlões” atuem a partir de qualquer país, recorrendo a meios tecnológicos sofisticados e a estratégias em constante evolução, o que dificulta a sua deteção e repressão.
No contexto nacional, têm-se multiplicado os casos de utilização indevida de cartões de crédito, dados pessoais e credenciais bancárias, através de mensagens, chamadas telefónicas e links fraudulentos que simulam comunicações, tanto de entidades públicas e privadas, bem como de pedidos de ajuda de familiares, o que é deveras alarmante.
Os esquemas fraudulentos baseiam-se, regra geral, em despertar a confiança, preocupação, o medo, a urgência ou o desconhecimento da vítima. Embora muitos destes crimes sejam praticados a partir do estrangeiro, os “burlões” adaptam a sua atuação à realidade portuguesa, utilizando referências, linguagem e entidades nacionais.
Nas práticas mais frequentes, fazem-se passar pela Autoridade Tributária e Aduaneira (Finanças), empresas de eletricidade, água ou telecomunicações, Instituições bancárias, Segurança Social, CTT, propostas de emprego, familiares próximos (filhos, netos ou outros), entre outos, invocando normalmente situações de emergência, para despertar uma reação imediata e inconsciente do destinatário do crime.
As mensagens e chamadas apresentam, muitas vezes, um elevado grau de realismo, recorrendo a números e endereços eletrónicos semelhantes aos oficiais e linguagem tecnicamente credível.
Eis alguns exemplos de mensagens, chamadas e links fraudulentos:
“Autoridade Tributária: Detetámos uma irregularidade na sua declaração. Regularize de imediato através do link: www.financas-verificacao[.]pt”
“Olá pai, mudei de número. Preciso que faças uma transferência urgente. Explico depois.”
“Caro cliente, a sua conta bancária encontra-se temporariamente bloqueada por motivos de segurança. Aceda ao link abaixo para confirmar os seus dados.”
Estes e-mails incluem, muitas vezes, links que direcionam para páginas falsas, visualmente idênticas às dos bancos ou entidades oficiais.
Nas chamadas telefónicas fraudulentas, os burlões identificam-se como funcionários das entidades reais, alegando movimentos suspeitos, dívidas pendentes ou necessidade de confirmação urgente de dados.
Durante a chamada, solicitam códigos de autenticação, números de cartão ou autorizações para operações bancárias. Em alguns casos, procuram apenas obter uma resposta afirmativa clara da vítima. O cidadão NUNCA deve atender ou responder dizendo claramente “sim” a chamadas suspeitas. Existem situações em que a gravação da voz pode ser utilizada, de forma fraudulenta, para simular autorizações ou consentimentos em operações financeiras ou contratuais.
Importa reforçar que nenhuma entidade oficial ou instituição bancária solicita dados confidenciais, códigos de acesso ou autorizações por telefone, SMS ou e-mail.
O ato de carregar diretamente em um link, atender uma chamada suspeita, ou responder a uma mensagem, é extremamente perigoso, resultando na concretização de movimentos fraudulentos, implicando dificuldades legais e financeiras prolongadas para a vítima.
As burlas informáticas configuram crimes graves, com consequências legais para os seus autores e impactos significativos para as vítimas. Num contexto em que as comunicações fraudulentas são cada vez mais credíveis, a prevenção assume um papel central. Desconfie sempre!
Antes de tomar qualquer atitude, dirija-se às entidades ou entre em contato com a pessoa que lhe está a pedir ajuda, procurando proteger-se e apurar a veracidade da comunicação recebida.




















