Há pessoas para quem nada está verdadeiramente bem: tudo o que avaliam termina invariavelmente num “mas”, como se a frase só ficasse completa quando deixam no ar um ligeiro cheiro a desgraça iminente. São especialistas em pôr a nota de rodapé na realidade, como se o seu papel fosse garantir que ninguém se entusiasma em excesso. Vivem em permanente nota de débito emocional, sem programa nem visão: basta um tom grave e uma frase feita. Perante a boa notícia, apressam‑se a lembrar o que falta, o que podia ter corrido melhor, o risco que porventura ainda pode vir. São os revisores oficiosos do progresso e das conquistas, sempre prontos a corrigir o entusiasmo dos outros.
Esta devoção ao lado vazio do copo teria graça, se não fosse exaustiva e matasse o ânimo com a precisão de um anestesista mal‑humorado, se não
instalasse a ideia de que nada é suficiente, que ninguém faz o bastante e que o fracasso é apenas uma questão de tempo. Sem nunca reconhecerem o caminho feito e bem feito.
Pela primeira vez, desde que o fenómeno é quantificado e objeto de estudo, os Açores deixaram de ser a região mais pobre de Portugal. Em 2024, nas nossas ilhas, o risco de pobreza baixou praticamente sete pontos percentuais. “É verdade, mas não foi o suficiente”, logo atalhou um indulgente profissional da incoerência. Seguiram-se-lhe os habituais insuspeitos, que no passado aplaudiam migalhas e hoje desconfiam da mesa com mais fartura. Tivesse o risco de pobreza subido e sem pestanejar apontariam o dedo ao governo, sem mais estudos ou dúvidas.
O sucesso incomoda quem só vê defeitos.




















