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Uma notícia recente pareceu construída para desmobilizar os Trabalhadores para a Greve Geral de ontem. A ideia que procurava passar era a de que quem decidisse aderir à Greve estaria a prejudicar a economia. Essa associação é recorrente em vésperas de ações de luta desta natureza e dimensão, o que não deixa de suscitar alguma curiosidade irónica. É que os Trabalhadores sabem que nunca o crescimento económico se transformou em crescimento do seu salário. Inclusive, nos últimos anos, o crescimento económico apenas trouxe perda de poder de compra!

Contudo, esta notícia é relevante, porque teve o mérito de desvendar três verdades que, no resto do ano, se procura esconder.

A primeira é que, sem Trabalhadores, nada funciona. Não funcionam escolas, fábricas, hospitais, limpeza, segurança, transportes, televisões e tantos outros serviços.

A segunda é que são os Trabalhadores quem produz a riqueza. Nas vésperas da Greve, ouvimos dizer que os Trabalhadores não devem fazer greve, para não prejudicar a economia. No resto do ano, ouvimos dizer que são as empresas que geram a riqueza e o emprego! Como se uma empresa existisse sem a massa humana que lhe dá vida. Aliás, a experiência recente na revista Visão demonstra que uma empresa pode funcionar sem empresários, mas que não funcionará sem Trabalhadores!

A terceira é que, no funcionamento da economia, os Trabalhadores são quem mais perde. Seguindo a mesma lógica desta notícia, poder-se-ia concluir que, em média, cada Trabalhador produz, mensalmente, cerca de 3500€. Ou seja, mesmo que todos os salários aumentassem, no imediato, 100€, os 5 milhões de Trabalhadores do país continuariam a levar para casa menos de metade da riqueza do país.

Por fim, e já fora da notícia, há uma quarta revelação: a força organizada dos Trabalhadores tem um enorme poder. Se assim não fosse, porque é que o mesmo governo que afirma que os Sindicatos e as Greves são irrelevantes atacaria, no seu pacote laboral, essas mesmas Greves e a liberdade sindical? Fica a pergunta…

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