Autor: PM | Foto: AFR
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O eurodeputado André Franqueira Rodrigues reuniu-se na quinta-feira, em Bruxelas, com a Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas e do Crédito Agrícola de Portugal (CONFAGRI), dando início a um ciclo de reuniões de auscultação às organizações representativas do setor agrícola.

O encontro centrou-se nas principais preocupações da agricultura num momento considerado decisivo para o setor europeu, marcado pela preparação da próxima Política Agrícola Comum (PAC), pelas negociações em curso do Quadro Financeiro Plurianual e pela crescente pressão associada ao acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. A CONFAGRI apresentou as suas prioridades para o próximo ciclo legislativo e alertou para dificuldades que, segundo a confederação, têm sido agravadas pela instabilidade regulatória.

Durante a reunião, o eurodeputado socialista afirmou que o setor agrícola “vive um ponto de rutura”, apontando a conjugação de três fatores críticos: as reformas estruturais da PAC, que continuam a gerar incerteza política e operacional para agricultores e cooperativas, o risco de cortes no orçamento agrícola da União Europeia, debatido no Conselho Europeu de dezembro, e o impacto do acordo UE–Mercosul, que, no seu entender, “necessita de ajustamentos que salvaguardem os agricultores europeus e promovam uma concorrência mais leal”.

Relativamente à PAC, André Franqueira Rodrigues defendeu que “ou a Europa escuta os seus agricultores e melhora a trajetória, ou colocamos em causa a soberania alimentar, a coesão territorial e o futuro do mundo rural”, acrescentando que a política agrícola “não pode continuar a ser vista como mais uma variável de ajustamento orçamental, nem como moeda de troca em acordos comerciais desequilibrados”.

A reunião decorreu num contexto de crescente contestação do setor agrícola a nível europeu. A Copa-Cogeca, principal federação de agricultores da União Europeia, anunciou uma manifestação em Bruxelas para 18 de dezembro, esperando a participação de cerca de 10.000 pessoas provenientes de mais de 40 organizações. Os agricultores acusam a Comissão Europeia de não ter dado resposta aos alertas emitidos desde 2024 sobre as reformas da PAC e sobre propostas de orçamento consideradas insuficientes. A manifestação coincidirá com a reunião dos chefes de Estado e de Governo dedicada ao futuro orçamento europeu, pouco antes da deslocação da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ao Brasil para a assinatura do acordo com o Mercosul.

Segundo o eurodeputado açoriano, o ciclo de auscultação irá prosseguir nas próximas semanas junto de organizações nacionais e europeias, cooperativas, jovens agricultores e associações do setor agroalimentar, com o objetivo de consolidar uma posição política para os debates legislativos sobre a reforma da PAC e para a resposta europeia ao impacto dos acordos comerciais. “Este trabalho de proximidade é essencial para que a voz dos agricultores portugueses e europeus esteja refletida no Parlamento Europeu. Ninguém pode ficar fora desta discussão”, concluiu.

 

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